Saída de recursos superou a entrada em US$ 4,3 bilhões; resultado é o pior desde dezembro de 2008, segundo o BC

O Brasil sofreu em junho a maior fuga líquida de dólares do País desde dezembro de 2008, quando a crise econômica global ainda estava em seu auge, informou o Banco Central nesta quarta-feira. De acordo com a autoridade monetária, a fuga de dólares do país em junho superou a entrada em US$ 4,279 bilhões. Em junho do ano passado, a entrada de dólares superou a saída em US$ 1,076 bilhão.

O saldo negativo do chamado fluxo cambial em junho também contrastou com o elevado saldo positivo registrado em maio (US$ 2,6 bilhões), abril (US$ 2,24 bilhões) e março (US$ 2,11 bilhões) deste ano. Além de ter sido o mês com maior fuga de divisas desde dezembro de 2008, quando a saída de dólares superou a entrada em US$ 6,373 bilhões, junho também foi o primeiro mês em que o Brasil registrou um saldo negativo no fluxo cambial desde fevereiro (US$ 399 milhões a menos).

Os economistas atribuíram a forte saída de dólares no mês passado à eclosão da crise financeira em alguns países europeus, como Grécia, Espanha e Portugal. Com as dificuldades fiscais, aumentaram as remessas de filiais de empresas desses países no Brasil rumo a suas matrizes. Segundo o Banco Central, o saldo negativo de junho foi provocado principalmente pelo déficit no chamado fluxo financeiro, que inclui justamente remessas de lucros e dividendos, além de investimentos em títulos e investimentos diretos estrangeiros.

Enquanto o fluxo financeiro em junho teve um saldo negativo de US$ 3,491 bilhões, o fluxo comercial (exportações e importações) teve um saldo negativo de US$ 788 milhões. Apesar do resultado negativo de junho, a entrada de dólares no Brasil nos seis primeiros meses deste ano superou a saída em US$ 3,363 bilhões, valor 26,2% superior ao do mesmo período do ano passado.

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