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Caberá ao País decidir se entra ou não na organização quando for um grande exportador de petróleo, no final da década

O Brasil será bem-vindo na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) quando se tornar um dos maiores produtores mundiais de óleo bruto. O diretor-geral da Opep para a Arábia Saudita, dona das maiores reservas do planeta, Majid Al-Moneef, não chegou a fazer um convite formal, mas disse nesta terça-feira (8), ao participar do IAEE'S 2010 Internacional Conference, no Rio, que cabe ao País decidir se entra ou não na organização, que estará disposta a recebê-lo.

Al-Moneef destacou, porém, que o Brasil precisará se submeter às condições impostas a todos os países membros da Opep. A organização estabelece cotas de produção e os países membros são obrigados a cumpri-las, reduzindo a extração de petróleo e muitas vezes operando abaixo da capacidade de produção. "Cabe ao Brasil decidir se entra ou não", disse Al Moneef, quando indagado pela plateia do evento sobre a possibilidade.

No mesmo evento, o especialista Bassan Fattouh criticou as cotas estipuladas pela Opep. Segundo ele, o método da organização como manobra de controle de preços no mercado internacional - de limitar a oferta - acabou por reduzir a participação dos países da Opep no mercado mundial. Os membros, segundo ele, perderam participação de mercado ao longo dos últimos anos. Além disso, as cotas são apontadas como fatores de limitação de investimentos, já que as empresas ficam impossibilitadas de produzir e perdem o interesse em ampliar a capacidade produtiva. 

O diretor da Opep lembrou que o Brasil ainda não é um grande exportador de petróleo, mas um país com um potencial de expressivo crescimento em volume de barris produzidos. O Brasil, segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), exportará por dia 2,2 milhões de barris de óleo em 2019, por causa das descobertas do pré-sal da Bacia de Santos. A produção vai mais que dobrar neste período, para cerca de 5 milhões de barris diários, de acordo com a empresa estatal responsável pelo planejamento energético nacional.

Se por um lado o pré-sal coloca o País no topo dos exportadores, por outro atrai o setor privado. “O Brasil é um país atraente para investir. Há estabilidade econômica e muitas oportunidades interessantes. Estamos buscando novos focos de investimento aqui”, disse o vice-presidente de Estratégia Internacional para E&P da norueguesa Statoil, Ivan Sandrea.

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