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Brasil reivindica mais peso para emergentes às vésperas de reunião do G20

César Muñoz Acebes. Washington, 13 nov (EFE).- Às vésperas da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), o Brasil denunciou a falta de representatividade do Grupo dos Sete (G7, sete nações mais industrializadas) e reivindicou mais peso para os emergentes nos fóruns multilaterais, no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial (BM).

EFE |

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também criticou o G7 por convidar o Brasil e outros países em desenvolvimento para "tomar café" em algumas cúpulas, mas não lhes permitir ficar na hora do debate de peso.

A Cúpula do G20, que acontecerá na sexta-feira e no sábado, reflete o novo peso dos mercados emergentes no mundo e supõe um reconhecimento de que os países avançados são incapazes de determinar, sozinhos, o rumo econômico do planeta, segundo os analistas.

A reunião foi comparada com a conferência de Bretton Woods de 1944, na qual as 44 nações aliadas na Segunda Guerra Mundial criaram o FMI e o BM.

Esse encontro foi na realidade quase que apenas entre os Estados Unidos e o Reino Unido, que definiram praticamente todos os pontos da cúpula.

Pouco mais de seis décadas depois, em meio a outra crise do sistema financeiro, Washington e Londres não poderiam fazer o mesmo.

De fato, inclusive o G7, que reúne EUA, Reino Unido, Canadá, Itália, França, Alemanha e Japão, resultou nos últimos anos em um grupo muito restrito para tratar dos problemas econômicos mundiais.

França e EUA decidiram convocar o G20 para iniciar a reforma do sistema financeiro mundial basicamente porque não há nenhum outro fórum suficientemente pequeno que reúna as principais nações desenvolvidas e em desenvolvimento do mundo.

"Criar um novo grupo seria uma enorme diplomacia", disse à imprensa Brad Setser, ex-diretor do escritório de política financeira do Departamento do Tesouro dos EUA.

No entanto, o G20 contém "raridades", como a presença da Argentina e a ausência de Suíça e Espanha, segundo Sebastian Mallaby, um analista de um centro de estudos independente.

Esses dois países europeus contam com bancos muito potentes, enquanto numerosos analistas em Washington duvidam das lições sobre a gestão econômica que a Argentina possa apresentar.

A Espanha conseguiu se inscrever na reunião graças à França, que lhe cedeu uma das duas cadeiras que ocupa, pela Presidência rotativa da União Européia (UE) e como membro do G20.

Além dos integrantes do G7, compõem o G20: Brasil, Argentina, Austrália, China, Índia, Indonésia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul, Turquia e a Presidência da UE.

O grupo criado em 1999 não tem um secretariado, e esta será a primeira reunião de seus chefes de Estado.

Dan Price, assessor do presidente George W. Bush para assuntos econômicos internacionais, disse à imprensa que "a reunião dos líderes do G20 não prevê, de uma forma ou de outra, o futuro do G7, do G8 (...) ou de qualquer outro grupo".

Este é o momento propício para fazer essas reivindicações. Com os países avançados com um crescimento nulo ou em recessão, a economia do planeta segue em movimento graças exclusivamente às nações em desenvolvimento.

Os países ricos também não podem alegar que contam com maior capacidade para conduzir a economia, dado que a atual crise teve início nos EUA e rapidamente contagiou a Europa.

Na realidade, as nações avançadas necessitam agora de seus vizinhos pobres por uma razão prática: alguns países em desenvolvimento acumulam extraordinárias reservas de divisas que podem ser necessárias para enfrentar a crise.

"O FMI precisará de mais dinheiro. Se a China não estiver sentada à mesa, não é possível obter seus recursos", explicou à Agência Efe Desmond Lachman, um ex-alto funcionário dessa entidade.

Esse país asiático conta com uma reserva de quase US$ 2 trilhões, graças ao sucesso de suas exportações, enquanto que o déficit dos EUA poderia alcançar US$ 1 trilhão no atual ano fiscal.

A cúpula desta semana parece indicar que os tempos em que um pacto entre Estados Unidos e Europa selavam o futuro econômico do planeta já não existem mais. EFE cma/ab/plc

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