SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil deverá fechar a temporada 2009/10 com uma produção recorde de 34 milhões de toneladas de açúcar, estimou o Ministério da Agricultura nesta segunda-feira. O volume, entretanto, fica abaixo da última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que em setembro previu uma produção de 36,7 milhões de toneladas, contra intervalo de 36,4 a 37,9 milhões de toneladas na primeira estimativa e produção de 31,6 milhões em 2008/09.

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De acordo com o coordenador do Departamento de Açúcar e Álcool do ministério, Luís Carlos Job, essa redução deve-se às chuvas entre setembro e novembro na região centro-sul do país.

A Conab deve divulgar nova estimativa na quarta-feira, que deve vir em linha com a previsão do departamento, segundo Job.

Ele calculou ainda, com base em dados de usinas e do setor privado, que a produção nacional de etanol em 2009/10 no Brasil atingirá 25,5 bilhões de litros, contra previsão da Conab em setembro de 27,8 bilhões e abaixo dos 26,7 bilhões de litros da safra passada.

O coordenador destacou ainda que as usinas devem funcionar por mais tempo do que o costumeiro em 09/10.

"Provavelmente várias usinas vão praticamente emendar. E algumas novas que iam entrar em atividade em 2010/11, em vez de abril/maio, vão antecipar", disse ele.

Na semana passada, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) reduziu sua estimativa para a produção de açúcar da região centro-sul do Brasil de 29,4 milhões de toneladas para 29 milhões.

Chuvas acima da média desde junho no centro-sul, responsável por 90 por cento da produção de cana do país, atrapalharam a colheita e reduziram a concentração de sacarose --ou o volume de etanol e açúcar que pode ser extraído da planta.

A queda na produção de vários países, em especial na Índia, elevou os preços internacionais da commodity, o que levou usinas brasileiras a destinarem mais cana para a fabricação de açúcar, segundo Job. O comunicado do ministério aponta uma produção de açúcar 10 por cento maior do que a da temporada passada.

"Por razões internas, a Índia, segundo maior produtor mundial, apresentou grandes quedas de produção, nos dois últimos anos, e terá que importar entre seis e oito milhões de toneladas até o final de 2010", disse ele.

Job destacou ainda que, nos últimos três anos, houve redução significativa nos estoques mundiais para compensar o déficit de produção indiana, o que deve manter elevado o preço do açúcar no mercado internacional.

A Índia é o maior consumidor de açúcar do mundo.

Em novembro, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projetou um déficit global de açúcar de 7,2 milhões de toneladas em 2009/10, ante déficit de 11,3 milhões de toneladas em 2008/09.

PREÇOS

Para Job, países como Índia, Estados Unidos, Tailândia, China e México deverão apresentar pequena recuperação na produção canavieira, além de usar seus próprios estoques.

"No mercado futuro, a tendência é de queda gradativa no preço do açúcar até 2011. O açúcar bruto deverá passar dos atuais 480 dólares por tonelada para 390 dólares por tonelada, e o refinado, de 540 dólares por tonelada para 490 dólares por tonelada", disse ele.

Na sexta-feira, os futuros do açúcar bruto negociados em Nova York atingiram a máxima de sete semanas, e o contrato referencial março fechou a 24 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres, o contrato março do açúcar branco ficou em para 625,8 dólares por tonelada.

(Por Camila Moreira e Inaê Riveras)

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