Diante da valorização do real, da situação dos abatedouros e da recessão mundial, 2009 terminará com uma contração substancial nas exportações de carne do Brasil, com implicações no mercado mundial. No setor do frango, a retração será a primeira em 15 anos.

Os dados foram publicados ontem pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). A entidade, com sede em Roma, estima que 2009 fechará com queda de 6% no comércio mundial de carnes. A produção também ficará abaixo de 2008, com 282 milhões de toneladas. Outra queda é a do consumo per capita, que cairá de 42 quilos para 41,7 quilos por ano.

Grande parte da queda no comércio mundial, segundo a FAO, é provocada pelo Brasil. A produção no País deve ser 3% inferior à de 2008. No setor de carne bovina, a previsão é de contração de 4,5%, totalizando 6,7 milhões de toneladas de vendas. "Grande parte do declínio ocorre por causa do Brasil, o maior fornecedor do mundo, onde as entregas vão cair em 14%", afirma a FAO. Entre os fatores negativos, estão a queda nos preços internacionais, a valorização do real e a demanda fraca em mercados consumidores.

Para 2010, a projeção é um pouco melhor, com alta de 2% nas exportações. Mas ainda inferior a 2007 e 2008. O crescimento em 2010 virá essencialmente do Brasil. No setor do frango, a previsão é de queda na produção mundial em 2009, para 91,9 milhões de toneladas. Mais uma vez, a culpa é do Brasil, o maior exportador. A estimativa é de que a queda no País será a primeira em 15 anos no setor.

"No Brasil, o fornecimento de frango foi deprimido por causa de restrições à exportações, valorização da moeda local, falta de créditos e queda nos mercados consumidores", afirma a FAO. As exportações só cresceram para o Oriente Médio, com a redução de tarifas de importação na Arábia Saudita. Para 2010, a previsão é de retomada das exportações em 4%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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