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Brasil quer EUA na reforma do FMI

O Brasil quer que o próximo governo americano reconheça a necessidade de reformar o sistema de tomada de decisões nos organismos financeiros e admita que economias emergentes precisam ter um maior peso nas definições do rumo do planeta. Após as eleições nos Estados Unidos, o governo brasileiro vai insistir numa reforma do modelo de votos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e espera um comportamento de Washington que favoreça o multilateralismo.

Agência Estado |

A mudança na definição do voto no FMI será uma das propostas que o País poderá levar para a cúpula do dia 15 em Washington entre as maiores potências do mundo para definir novas regras para o sistema financeiro internacional. Segundo o chanceler Celso Amorim, o atual sistema de voto no FMI e no Banco Mundial não é "nem democrático nem correto" e o momento chegou para que Washington reconheça que reformas precisam ser feitas.

"Não vamos falar do fim de uma era. Mas sim do reconhecimento político de que estamos atravessando uma fase de transição muito importante. É preciso que haja uma mudança na governança global nesse momento", disse Amorim, que acredita que a crise financeira possa acelerar uma nova arquitetura mundial e um comportamento dos Estados Unidos mais voltado ao multilateralismo, algo que havia sido abandonado pelo governo de George W. Bush em vários setores.

Em sua avaliação, não é apenas o G-8 que precisa ser reformado para incluir os países emergentes. "FMI, Conselho de Segurança, Banco Mundial e outros terão de mudar", disse.

Para Amorim, um dos maiores desafios do próximo governo americano será o de dar uma solução para a crise financeira. "Eles sabem que não podem mais resolver isso sozinhos e a convocação dos países emergentes para a reunião do dia 15 é um reconhecimento do papel das economias emergentes", disse Amorim.

Amorim acredita que "algumas pessoas nos Estados Unidos" podem entender de forma mais rápida que outras que de fato essas mudanças precisam ocorrer. Mas evita dizer qual dos candidatos seria mais positivo.

Uma das propostas do Brasil é de que o voto no FMI não seja mais ligada à contribuição financeira de cada país ao fundo. "O voto não pode ser ditado pela contribuição. Isso é o que ocorre hoje. Mas não é nem democrático nem correto", afirmou. Amorim, porém, não disse qual deveria ser o critério para definir o peso de cada país nas decisões do fundo.

Além disso, Amorim quer o FMI com um mandato de supervisão em todas as economias, algo que os países ricos hesitam em aceitar. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chegou a sugerir a criação de uma organização monetária internacional.

Amorim ainda insiste que a medida mais concreta que os países poderiam dar no momento para estimular as economias seria a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a abertura dos mercados. Ele espera que a cúpula em Washington dê o incentivo político que falta para que o processo iniciado em 2001 possa agora ser concluído. "Espero que haja um impulso político. Se depender do Brasil, isso será dado", disse.

"Há um sentimento geral de que a conclusão da Rodada ajudaria a dar um sinal positivo para a economia real", afirmou Amorim, que hoje se reúne com o diretor da OMC, Pascal Lamy, em Genebra. A idéia do Itamaraty é a de incluir um parágrafo na declaração final da cúpula do dia 15, dando um mandato aos governos para concluir o processo, interrompido em julho por falta de acordo sobre como realizar a liberalização.

Uma das opções seria a convocação de uma reunião ministerial em dezembro para fechar o processo. Mas Amorim admite que não conseguiu sequer que a OMC fosse incluída entre os convidados para a cúpula em Washington. "Falta pouco para concluir, mas há uma atmosfera de pessimismo"

Amorim ainda insiste que o comércio internacional precisa contar com condições mais favoráveis de financiamento, o que ele chama de "lubrificante". O chanceler falará sobre o tema com Lamy, que quer que bancos regionais de desenvolvimento, como o BNDES, e o Banco Mundial reforcem sua participação para garantir créditos a exportadores, principalmente dos países emergentes.

A idéia seria a de garantir uma maior presença do Estado para compartilhar os riscos de linhas de créditos com bancos privados que até hoje eram os principais responsáveis por garantir o financiamento.

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