Segundo Ipea, exploração e produção do petróleo exigirá articulação da política energética com industrial, tecnológica e ambiental

A exploração e a produção de petróleo na camada do pré-sal exigirão do país uma articulação da política energética com as políticas das áreas industrial, tecnológica, ambiental e externa. A conclusão é de um estudo divulgado hoje, dia 1º,  pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o estudo, o Brasil precisará definir uma destinação equilibrada para o petróleo extraído, isto é, quanto será destinado para o consumo interno e quanto será exportado, seja de óleo bruto ou de derivados. Isso é importante, de acordo com o Ipea e a UFRJ, para que se possa definir o tamanho necessário do parque de refino do país.

Será preciso que promover a pesquisa tecnológica para otimizar a produção e a exploração de petróleo e elevar a competitividade das empresas que prestam serviços para o setor petrolífero. De acordo com o pesquisador do Ipea Fabiano Pompemayer, é importante que as empresas nacionais sejam capazes de produzir equipamentos usados na exploração e produção, como as sondas, para evitar que a Petrobras e outras empresas petrolíferas que atuam no Brasil precisem recorrer a equipamentos estrangeiros.

“São poucos os fornecedores [desses equipamentos] e eles manejam a capacidade produtiva. Em um aumento de esforço exploratório, tende-se a apertar a oferta de equipamentos e, consequentemente, subir o preço desses equipamentos. É importante que se desenvolva uma capacidade nacional para que não se dependa das oscilações de preços externas”, disse.

Segundo Pompemayer, o estímulo à inovação nas empresas da cadeia petrolífera é importante para que elas possam competir no mercado internacional, já que há campos de pré-sal em outros países. Outra preocupação apontada no estudo é com o gás associado ao petróleo no pré-sal.

De acordo com o pesquisador da UFRJ Helder Queiroz, o país precisa de uma política setorial que defina o papel do gás no setor industrial e na geração elétrica no país, mas que também se preocupe com a infraestrutura de transporte ou armazenamento do produto. Isso é importante para evitar que o gás seja queimado na plataforma, em vez de ter uma destinação energética.

O estudo também concluiu que é preciso definir e consolidar logo o novo marco regulatório para o setor e repartir de forma equilibrada as participações governamentais nos lucros da produção petrolífera.

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