Javier Alonso Martínez. Paris, 27 out (EFE) - O analista da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) Javier Santiso afirmou que a diversidade da economia brasileira e a pouca dependência de remessas vindas dos Estados Unidos amortecerão o impacto da crise financeira no Brasil em relação a outros países da América Latina. Em entrevista à Agência Efe, Javier Santiso, diretor do Centro de Desenvolvimento da OCDE, disse que a região não está imune à crise econômica global, que representa uma ameaça, por ser um choque financeiro e macroeconômico de primeira magnitude, sobretudo por seus vínculos com os Estados Unidos. Não há imunidade a um choque que venha dos Estados Unidos, disse Santiso, diretor do Centro de Desenvolvimento da OCDE, embora tenha destacado que há países latino-americanos que fizeram seus deveres de casa ou têm uma maior capacidade de resistência. Para ele, o Brasil tem um sistema bancário doméstico e não muito dependente de fluxos de remessas; é uma economia muito aberta, mas muito diversificada, que não depende apenas dos EUA, mas da Ásia, da Europa. Inclusive era possível pensar que poderia haver países - caso a crise não se prolongue muito - com capacidade de recuperação ou de se sair relativamente bem dela, e penso em particular no Brasil, que poderia dar surpresas positivas, acrescentou Santiso. Além do Brasil, ele ressaltou que nações como México, Chile, Peru, Colômbia, Costa Rica e Uruguai...

"Porém, não minimizemos o impacto que vai haver, e vai ser diferente em função dos países. Há alguns que estão na primeira linha de proximidade, por exemplo o México", citou Santiso.

No entanto nesse caso também há diferenças, pois "no México, a situação não é a mesma de dez anos atrás.

"Não estamos falando do que ocorreu então. O México vai sofrer, mas como estão sofrendo muitos países europeus, e talvez menos que muitos destes", precisou.

Santiso alertou que, no caso mexicano, "conforme vá se desacelerando a atividade industrial manufatureira nos EUA, o PIB mexicano também se ressentirá".

Isso porque, segundo ele, "os fluxos de remessas estão diminuindo, não apenas para o México, mas para toda América Central, e os canais bancários também".

"Países que têm sistemas bancários muito internacionalizados vão se deparar provavelmente com sistemas de riscos que vão operar e que talvez vão limitar o crédito", acrescentou. EFE jam/rb/db

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