O Brasil teve sua cota de exportação para 2009 de carne suína destinada à Rússia cortada, enquanto os Estados Unidos vão poder dobrar a sua participação nas vendas do produto para aquele país. A decisão, anunciada na sexta-feira duas semanas depois da visita do presidente russo Dmitri Medvedev ao Brasil, deixou os produtores e exportadores de suínos indignados.

"Estou perplexo. O que o Itamaraty e o presidente Lula trataram durante a visita do presidente russo? A venda de helicópteros?", provoca o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto. Hoje, a Rússia é o principal mercado para as carnes brasileiras, respondendo por 40% das exportações no caso da carne suína.

De acordo com a decisão do governo russo, a cota "outros países", onde o Brasil está inserido, foi reduzida de 197,1 mil t em 2008 para 177,5 mil em 2009, um corte de cerca de 20 mil toneladas. No rol de "outros países", o Brasil é o principal exportador . Já a cota de exportação dos Estados Unidos para a Rússia, que neste ano foi de 50,7 mil toneladas, aumentou para 100 mil toneladas em 2009.

Camargo Neto considera "estranha" a decisão do governo russo que, segundo ele, quebrou o que havia sido acertado durante a visita do presidente Lula à Rússia em 2005. Naquela ocasião, ficou combinado que as cotas seriam alteradas a partir de 2010. Na prática, com a decisão da semana passada, o governo antecipou a mudança nas cotas e reduziu os volumes.

A queda nas exportações do Brasil para a Rússia já vinham recuando. Em 2005, as vendas de carne suína para o país somaram 400 mil toneladas. Neste ano, devem atingir 240 mil toneladas. "Vamos ter que amargar os prejuízos", afirma Camargo Neto. Ao contrário da avicultura, segmento no qual é possível com mais agilidade reduzir a produção, no caso dos suínos essa mudança é mais lenta.

A alternativa para compensar, ainda que parcialmente a perda nas exportações para a Rússia, será conquistar novos mercados, como Filipinas e África do Sul, exemplifica, o presidente da Abipecs.

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