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Brasil perde fundos argentinos

O governo da presidente Cristina Kirchner determinou ontem que os fundos de pensões, conhecidos na Argentina pela sigla AFJPs, devem repatriar, nesta semana, os US$ 600 milhões que investiram em ações no Brasil. Nesta quarta-feira, as AFJPs deverão levar para a Argentina 33% dos seus investimentos no Brasil; na quinta-feira, outros 33%, e na sexta-feira, o restante.

Agência Estado |

A resolução foi assinada por Amado Boudou, superintendente das AFJPs e diretor-executivo da Anses, a Previdência estatal, organismo que absorverá as aposentadorias privadas. Recentemente, o governo anunciou o plano de reestatizar o sistema privado de aposentadorias e, assim, levar os filiados das AFJPs para a Previdência estatal. Com a medida, que começou ontem a ser debatida numa comissão do Parlamento, em 2009 o governo arrecadará mais de US$ 5 bilhões em contribuições. Também terá o controle de US$ 30 bilhões em ações de 25 grandes empresas, hoje em mãos das AFJPs, além de bônus da dívida pública.

Por trás da decisão de obrigar os fundos de pensões a repatriar o dinheiro investido no Brasil, afirmam os analistas, está o temor do governo de que essas entidades liquidem essas ações antes de concretizada a reestatização.

Ontem, Sergio Chodos, gerente-geral da Superintendência das AFJPs, disse que, embora os fundos investidos no Brasil devam voltar para a Argentina, não há nenhum destino especificado para eles. Ele recomendou que o dinheiro seja investido em renda fixa. "É a opção mais razoável por causa da volatilidade nos mercados." Chodos não descarta a hipótese de a repatriação dos fundos ter efeitos na Bolsa de São Paulo.

A repatriação tem precedentes. Em 2007, o governo ordenou a redução de 10% para 2%, a o longo de um ano, das carteiras de investimentos que as AFJPs tinham nos países do Mercosul. O processo ainda foi concluído, pois as AFJPs atualmente podiam ter até 4% dos fundos nos países do bloco.

Assustados com os possíveis efeitos da crise financeira internacional, os argentinos estão tirando o dinheiro do país. Segundo dados do Banco Central, no terceiro trimestre deste ano saíram US$ 5,8 bilhões, valor superior ao saldo comercial do período, de US$ 5,4 bilhões.

Para os analistas, o volume será muito superior quando for contabilizada a fuga de divisas ocorrida em outubro. O dinheiro está saindo dos bancos locais para ser guardado em contas no exterior, caixas de segurança dentro e fora do país e nos mais variados esconderijos domésticos, como o colchão.

Como ocorreu durante a crise econômica de 2001-2002, os bancos no Uruguai, localizados a apenas uma hora (na cidade uruguaia de Colonia) ou três (no caso dos bancos em Montevidéu) de navio da capital argentina, estão sendo o refúgio dos preocupados argentinos.

Antes da crise da virada do século, a presença de argentinos no sistema financeiro privado uruguaio era de 54%, alcançando US$ 6,1 bilhões. Depois, caiu para US$ 1,09 bilhão em 2003. Mas a desconfiança em manter o dinheiro na Argentina levou os habitantes do país a aumentar novamente a presença no Uruguai.

Atualmente, os depósitos de argentinos no sistema privado do outro lado do Rio da Prata alcançam US$ 2,13 bilhões. Em setembro os depósitos de estrangeiros no Uruguai aumentaram US$ 100 milhões, a maior alta dos últimos sete anos.

"Os argentinos estão chegando com malas cheias de dinheiro e alugam caixas de segurança", disse José Amorim Batlle, deputado e pré-candidato presidencial do Partido Colorado e sobrinho do ex-presidente Jorge Batlle. Segundo o parlamentar, muitos argentinos "estão raciocinando da seguinte forma: se o governo pegou os depósitos dos fundos de pensões, porque não fariam a mesma coisa com os depósitos das pessoas nos bancos?".

A fuga de capitais já havia começado há meses, por causa do conflito da presidente Cristina com os ruralistas. Desde janeiro, US$ 12,23 bilhões saíram do sistema financeiro local.

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