Sydney - O ministro de Exteriores Celso Amorim disse nesta quarta-feira que pedirá à Organização Mundial do Comércio (OMC) sanções de vários bilhões de dólares contra os Estados Unidos, por sua persistente recusa em eliminar os subsídios ilegais ao algodão.

Amorim não quis confirmar informações especuladas na segunda-feira que asseguravam que o Brasil solicitou a aprovação de uma penalização de US$ 4 bilhões à OMC.

Em Canberra, a capital australiana, onde se encontra em visita oficial, o ministro não quis comentar o valor, mas assegurou que o pedido de sanções rondará "vários bilhões, porque o dano que os Estados Unidos causaram com esses subsídios é muito grande".

EUA e Brasil estão há cinco anos envolvidos em uma disputa comercial que terminou no dia 20 de junho, quando os árbitros da OMC confirmaram que Washington tinha descumprido sua obrigação de eliminar vários tipos de ajudas aos produtores de algodão.

Segundo os dados oficiais do Brasil, os Estados Unidos pagaram US$ 12,5 bilhões a seus produtores de algodão entre 1999 e 2003, o que lhes permitiu continuar ostentando o segundo posto na produção mundial da fibra.

A visita do ministro brasileiro, que começou ontem e que termina amanhã, tem como objetivo reforçar as relações comerciais bilaterais entre Austrália e Brasil.

Amorim e seu colega australiano, Stephen Smith, se comprometeram hoje a iniciar um plano de ação que fomentará a cooperação em comércio, agricultura, mineração, energia, ciência e tecnologia, esporte, educação e cultura.

A segunda visita de Amorim à Austrália serviu também para reiterar a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de visitar o país em breve, e a do primeiro-ministro Kevin Rudd de viajar ao Brasil num futuro próximo.

Os ministros também conversaram sobre os instrumentos para revitalizar a Rodada de Doha da OMC, lutar contra a mudança climática, reformar as Nações Unidas e melhorar a situação do Timor-Leste.

Por último, os ministros destacaram o papel do Brasil na integração regional da América do Sul, e o da Austrália na região do Sudeste Asiático, e concordaram em trabalhar para fortalecer os laços entre as duas regiões.

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