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Brasil paga prêmio menor do que empresas e países de rating maior

SÃO PAULO - Os títulos do Brasil de vencimento em 2019 que acabam de ser emitidos no total de US$ 1,025 bilhão tiveram aumento de preços ontem, apesar da piora no humor dos mercados. Os investidores têm preferido papéis do Tesouro brasileiro do que de empresas de classificação de risco de crédito até maior e aceitado em troca rendimentos menores, diz Max Volkov, diretor-gerente da Merrill Lynch.

Valor Online |

O banco foi um dos líderes da emissão dos papéis, concluída ontem, com US$ 25 milhões vendidos na Ásia, depois do US$ 1 bilhão na Europa e EUA anteontem.

O Brasil - com classificação de risco de crédito "BBB-" pela Fitch e Standard & Poor ? s (primeira nota do grau de investimento) e "Ba1" pela Moody´s (última nota do investimento especulativo) - pagou prêmio de risco de 370 pontos básicos sobre os títulos do Tesouro americano. A empresa TransCanada Pipelines, de rating quatro degrau acima pela Moody ? s (A3) e três degraus acima pela Standard & Poor ? s (A-), pagou 460 pontos básicos no mesmo dia pelo mesmo prazo, segundo as agências internacionais. A Colômbia, de mesma classificação de risco de crédito do que o Brasil, pagou 502,9 pontos básicos. O México, que também tem rating maior do que o Brasil, pagou prêmio de risco de 390 pontos em sua captação de US$ 2 bilhões em dezembro.

Assim que foram emitidos, os papéis brasileiros tiveram alta de preços, o que mostra que restou demanda não atendida. Os prêmios de risco do título, que se movem no sentido inverso do preço, caíram de 370 pontos básicos para 365 pontos básicos. E isso em um dia no qual os rendimentos dos títulos americanos caíram 0,011 ponto percentual e que as bolsas tiveram desvalorização no mundo todo, com o índice Dow Jones, das ações mais negociadas em Nova York, em queda de 2,72%.

Segundo Volkov, a percepção é de que o risco do Brasil é menor, ainda mais neste momento de recessão e incerteza sobre o desempenho das companhias. "Neste início de ano o interesse por papéis dos países é mais forte do que de empresas, mas os do governo brasileiro são os primeiros a atrair demanda entre os emergentes", diz. O fato de o país ser credor externo líquido, ter câmbio flutuante e superávit fiscal primário ajuda, afirma. A pequena quantidade de emissões - em 2008, foram apenas US$ 525 milhões - gera demanda não atendida.

Uma política correta de gerenciamento da dívida externa deixa os investidores satisfeitos. "O Brasil tem aproveitado janelas com rapidez e emitido não por necessidade de dólares, mas para reforçar a liquidez de importantes benchmarks e para criar novos", diz.

A estratégia tem agradado os gestores de fundos que compram papéis de baixo risco de crédito na categoria grau de investimento. Esses investidores compraram 65% do total da emissão brasileira. Os fundos de pensão e companhias de seguros adquiriram 8%, os bancos, 15%, e o resto foi comprado pelos fundos de hedge, que estão mais retraídos neste início de ano, de acordo com Volkov. A maior parte dos compradores (72%) veio dos EUA, 25% são da Europa, 5%, da Ásia, 7%, do Brasil e 1%, do Oriente Médio.

Volkov lembra que o Brasil aproveitou o rali do início de 2009 e saiu na frente, emitindo títulos antes da Colômbia, que veio logo após. As Filipinas emitiram US$ 1,5 bilhão por dez anos pagando prêmio de risco de 600 pontos básicos. A Turquia está vendendo US$ 1 bilhão em papéis para 2017 segundo a Dow Jones.

Segundo Volkov, desde o dia 29 o bom humor voltou aos mercados por razões técnicas. O tombo nos juros dos papéis do Tesouro americano de dez anos após as compras destes títulos pelo Fed, banco central americano, e a redução nos juros básicos americanos para zero fazem com que os investidores voltem a se mover pela "ganância" e não mais apenas por "medo". O mau humor de ontem, segundo ele, foi em grande parte realização de lucros em um mercado fraco, mas no qual "o pânico de outubro e novembro passou". Ele lembra que a emissão do Tesouro brasileiro abre espaço para o lançamento de títulos de empresas, que no entanto terão de aceitar pagar prêmios de risco maiores. As empresas grau de investimento podem voltar ao mercado mais rápido, acredita, enquanto as de maior risco deverão emitir até o final do trimestre.

(Cristiane Perini Lucchesi | Valor Econômico )

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