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Brasil nega mal-estar com Argentina nas negociações da OMC

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, justificou neste sábado a aceitação por parte do Brasil de um projeto de acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio) e negou que isto tenha gerado mal-estar com a Argentina porque, embora os dois países sejam sócios no Mercosul, cada um joga com sua própria cabeça.

AFP |

"Eu tive hoje uma reunião com o ministro (argentino das Relações Exteriores, Jorge) Taiana e não me pareceu que houvesse mal-estar", disse Amorim à imprensa em Genebra, onde está desde segunda-feira participando de uma reunião ministerial de 35 países da OMC.

"Embora sejamos sócios, irmãos, amigos, aliados, cada um tem sua cabeça, cada um joga com sua cabeça", acrescentou.

"Claro que eu sei muito bem que (os argentinos) não estão satisfeitos com a proposta", acrescentou, referindo-se ao pacote apresentado pelo diretor geral da OMC, Pascal Lamy, para salvar a Rodada de Doha conciliando os interesses dos países exportadores agrícolas e industriais.

"As únicas opções a meu ver eram não ter nenhuma Rodada ou ter uma Rodada com equilíbrio que, sem ser o ideal, nos pareceu razoável", explicou Amorim.

"Mas esta é uma questão de juízo de cada país. Eu não acho que o acordo seja o balanço ideal, nem justo talvez, mas nossa tarefa aqui não é tornar o mundo justo, é torná-lo um pouco menos injusto", alegou o ministro brasileiro.

O chefe da delegação argentina na OMC, Alfredo Chiaradia, declarou neste sábado que a decisão brasileira de aceitar o projeto de acordo gerou tensão no Mercosul, a união aduaneira integrada também por Paraguai e Uruguai.

Amorim disse sexta-feira que o Brasil aceitou o pacote, com a condição de que este não seja mais modificado. Para o chanceler, se alguma coisa for alterada no atual projeto de acordo, o mais provável é que a nova versão não seja a favor dos países em desenvolvimento.

Já o comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, afirmou que a Argentina tem muito a ganhar no setor agrícola e nada a temer no setor industrial em caso de acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC).

"As exportações argentinas para a Europa serão muito ampliadas e a Argentina não tem nada a temer no que se refere ao acesso a seus mercados industriais", afirmou Mandelson em uma entrevista à imprensa, neste sábado, em Genebra.

"Acredito que o pacote oferece importantes oportunidades para a agricultura argentina", declarou o comissário europeu.

"Os argentinos vêm negociando duro e muito bem, e conseguiram uma disposição especial sobre suas tarifas aduaneiras", continuou Mandelson.

Fontes da delegação argentina indicaram que Buenos Aires conseguiu elevar de 10 para 22 o coeficiente de importações de manufaturados (quanto mais elevado o coeficiente, menores são os cortes das tarifas aduaneiras).

"Eles estão de parabéns e podem se sentir satisfeitos", afirmou Mandelson.

O chanceler argentino, Jorge Taiana, disse sexta-feira que as propostas de Lamy são inaceitáveis em seu estado atual.

A Argentina questiona o capítulo agrícola (redução de subsídios internos e de tarifas) e o industrial (tarifas), assim como o equilíbrio que resulta de ambos.

"Em agricultura as propostas são insuficientes e em produtos industriais muito elevadas", resumiu Chiaradia à AFP.

As principais potências comerciais que negociam na OMC chegaram a um consenso sexta-feira sobre um esboço do acordo, dando novas esperanças a uma conclusão para a Rodada de Doha de liberalização mundial do comércio, iniciada há sete anos.

js/lm

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