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SÃO PAULO - A atual crise nos mercados mundiais não tem paralelos recentes e, perto dela, as crises do México, Ásia e Rússia, nos anos 1990, foram apenas periféricas, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, enquanto naquelas crises os prejuízos eram calculados na casa dos bilhões, nesta as perdas são de trilhões de dólares.

Ele disse ainda que não é possível imaginar um país que fique invulnerável a ela, mas que todos deverão, em graus diferentes, ser afetados.

"A crise hoje se dá no centro do sistema, daí sua gravidade. Mas ela afeta mais os países desenvolvidos, que hoje estão mais vulneráveis", disse o ministro, acrescentando que os países emergentes, em especial o Brasil, estão numa situação mais confortável em relação à crise, embora não à salvo. "Não somos invulneráveis, mas estamos entre os menos vulneráveis."
Mantega avalia que as economias emergentes têm mais capacidade de enfrentar a crise, pois, ao contrário dos desenvolvidos, têm altas taxas de crescimento econômico, grande potencial no mercado interno e sistemas financeiros mais saudáveis. "Os bancos brasileiros, mesmo pequenos e médios, têm boas carteiras de crédito e precisam apenas de liquidez."
O ministro ainda criticou analistas que afirmam que o Brasil pode ser bastante afetado pela crise. Segundo ele, esse discurso é fruto "do desespero", associado ao pior momento da crise. Para Mantega, a situação atual não é de normalidade, mas as coisas devem melhorar assim que for aprovado o pacote de socorro do governo americano ao mercado.

"Parece que (esses analistas) estão transferindo o estado de ânimo de americanos e europeus para o Brasil. Acho isso uma besteira", comentou. Ele ressaltou que a expansão sustentável do PIB nacional é garantia disso e que, mesmo que o país não cresça neste ano, "por inércia" sua economia iria aumentar cerca de 2,5% em 2009. "Parte dos analistas está influenciada pelo pânico do mercado, que cria irracionalidade."
Em relação aos países ricos, Mantega disse ter "se divertido" em reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), pois tem participado do que chamou de "a vingança dos colonizados". Segundo ele, os papéis se inverteram. "Após anos de humilhação e lições de moral dos países ricos, hoje sou eu que falo para eles que não fizeram sua lição de casa." Mantega deu as declarações em reunião com empresários na sede da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

(José Sergio Osse | Valor Online )

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