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Brasil já venceu a pior parte da crise, diz Ipea

RIO DE JANEIRO - O Brasil já passou pelo pior momento da crise financeira e pode esperar uma melhoria inclusive no primeiro semestre deste ano, diz um estudo divulgado nesta pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Redação com agências |

Segundo o órgão público, os efeitos da crise internacional, que provocaram um "dezembro negro" para a indústria, podem ser superados nos próximos meses com as ações já adotadas pelo Governo, entre as quais se destacam reduções de impostos e aumentos de créditos. "Existem vários elementos que permitem inferir uma possível melhoria nas condições econômicas do país nos próximos meses, ou pelo menos no segundo semestre de 2009", afirma o estudo.

"Em outras palavras: o cenário recessivo observado nos países desenvolvidos não se estenderá à economia brasileira", acrescenta.

A divulgação da análise coincidiu com as declarações nas quais o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, destacou os sinais de reação dos setores atingidos pela crise, como eletrodomésticos, automóveis e têxteis.

Ele citou, entre outros sinais, as contratações anunciadas pela indústria têxtil, o aumento das vendas de automóveis e a não concretização da previsão de que o Brasil seria invadido por importações de países com altos estoques e que não puderam colocar seus produtos em nações desenvolvidas. "Continuamos otimistas e pensando que poderemos passar melhor pela crise que vários outros países em situação mais grave", afirmou o ministro.

O mesmo otimismo foi apresentado pelo diretor de Estudos Setoriais do Ipea, Marcio Wohlers, na entrevista coletiva na qual apresentou os resultados do documento "Crise Internacional: reações na América Latina e canais de transmissão no Brasil".

Segundo Wohlers, os indicadores econômicos de janeiro, principalmente o crescimento da produção de automóveis e o aumento do consumo de energia elétrica, permitem pensar na superação dos fatores que provocaram uma forte queda na indústria no final do ano passado. "A possibilidade de que o dezembro negro da indústria se repita no primeiro trimestre é muito pequena", declarou.

Segundo o Ipea, apesar de a crise financeira ter agravado a situação, vários elementos anteriores indicavam que o ciclo de expansão iniciado pela indústria brasileira em 2004 já estava em seu ápice e que o setor começaria a sofrer uma desaceleração.

"Em vários setores o uso da capacidade instalada já estava no nível mais alto em muitos anos e começavam a surgir preocupações pela escassez de capacidade produtiva e de mão-de-obra qualificada", afirma o documento do Ipea.

Segundo o estudo, nesta conjuntura, agravada pela crise internacional, a taxa de crescimento anual da produção industrial desabou do 6,8% de setembro até o 3,1% de dezembro. A produção industrial brasileira diminuiu em dezembro 12,4% em comparação a novembro e 14% em comparação ao mesmo mês de 2007, sua maior queda histórica.

Apesar de a crise ter provocado uma grande redução do crédito no Brasil, a situação já começou a melhorar, afirma o Ipea. A pesquisa indica que as concessões de empréstimos caíram significativamente em outubro e novembro, mas o volume em dezembro já estava em um patamar similar ao período antes da crise (setembro), acrescenta.

"A estabilidade dos indicadores medidos por diferentes instituições em janeiro e a recuperação do índice de confiança do consumidor permitem pensar que não haverá uma piora drástica da situação no primeiro trimestre do ano", informa o organismo.

"Há sinais de que janeiro não foi um mês tão difícil. O volume de vendas e produção de automóveis cresceu. O consumo de energia elétrica também cresceu. Em resumo, embora não seja possível afirmar que haverá uma recuperação da indústria já nos primeiros meses, talvez seja possível dizer que o pior do ajuste da indústria já passou", conclui.

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