GENEBRA - O Brasil foi o primeiro entre mais de 30 países a aceitar o pacote agrícola e industrial desenhado pelo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, para fechar um acordo na Rodada Doha, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.


AP
Amorim segue otimista quanto ao acordo
Amorim segue otimista quanto ao acordo
"O primeiro país a dizer que é aceitável o papel do Lamy como um pacote - e sempre que seja um pacote porque, se mudar uma vírgula, acabou - foi o Brasil", confirmou o ministro, cercado de microfones na saída da OMC, na noite desta sexta-feira.

"Houve uma convergência para o que são os números centrais do acordo. Isso envolve tanto produtos agrícolas como produtos industriais", acrescentou. "Demos um grande passo hoje, mas há muita coisa para ser feita." O problema agora é sobretudo a Índia, como deixou claro o ministro. "Não é um passo completo porque um dos membros do G7 não está de acordo com os termos colocados ali, ou não está de acordo ainda."

"No grupo de pouco mais de 30 países, muitos crêem que é melhor não sair da base definida no acordo anterior", acrescentou Amorim. "O G33 tem dúvidas sobre a questão de salvaguardas especiais (mecanismo para frear importações agrícolas)."

Por sua vez, o ministro de comércio da Índia, Kamal Nath, tratou de insistir que não há nenhum acordo de liberalização global, e sim algum consenso em certos pontos.

"Em áreas que afetam segurança (alimentar), que afetam pobreza, não há acordo, não há consenso", afirmou Nath, considerado o principal obstáculo para um acordo.

A Argentina e a África do Sul também preocupam outros membros da OMC interessados em fechar o acordo.

Neste sábado, os mais de 30 países voltam a se reunir, mas principalmente para discursos. A tarde, haverá negociação de serviços. Depois, as barganhas dirão se haverá acordo ou não.

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