A economia brasileira deve ficar estagnada em 2009 e ter seu pior ano em uma década, segundo previsão do Instituto Internacional de Finanças (IIF), que reúne os maiores bancos e instituições financeiras do mundo. A previsão é de um crescimento de apenas 0,8%, muito longe dos 4% previstos pelo governo.

É a pior previsão já feita sobre o Brasil por uma entidade internacional.

O grupo ainda aponta para uma queda brusca dos fluxos de capitais, nas exportações e uma seca no crédito. Para o mundo, não descarta que os países ricos tenham de ser ajustados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pede que China e outras economias emergentes deem apoio ao sistema. “Estamos vivendo uma recessão profunda e mundial, o que não vemos desde a Segura Guerra Mundial”, disse William Rhodes, vice-presidente do IIF e presidente do Citibank.

A previsão é de uma retração no Produto Interno Bruto (PIB) mundial de 1,1%, depois de uma expansão de 2,3% em 2007 e 0,9% em 2008. Entre os países ricos, a queda será de 2,1% no ano e 2009 será o pior “da era moderna”. Estados Unidos e Europa terão uma retração de 2,1% em suas economias e a Europa, 2,3%.

O impacto também será profundo em alguns países emergentes. Alguns entrarão em recessão. “Achar que os países emergentes não vão sofrer é um mito.” Entre eles, a projeção é de um crescimento total de 2,7%, ante 5,7% no ano passado. A China passará a crescer 6,5%. A Europa Central será a mais afetada. Depois de um crescimento de 4,6% em 2008, sofrerá uma retração de 1,1%. Rússia, Turquia e Ucrânia entrarão em recessão.

Para a América Latina, a projeção é de estagnação. Depois de um crescimento de 4,3% em 2008, em 2009, a alta não será acima de 0,5%. O México entrará em recessão, com queda de 0,5% em sua economia.

As projeções para o Brasil são alarmantes. Nos últimos 20 anos, essa será a quinta vez que o Brasil crescerá menos de 1%. As exportações vão sofrer expansão de apenas 8,3%, depois de ter crescido mais de 23% em 2008. O superávit na balança comercial cairá de US$ 25 bilhões em 2008 para US$ 17 bilhões neste ano. Já as reservas serão reduzidas de US$ 206 bilhões para US$ 196 bilhões. “Os países emergentes enfrentarão desafios excepcionais. Será um tremendo teste.” Para ele, não há como escapar de um contágio, em parte diante da queda nos fluxos de capitais e de investimentos.

Roberto Setubal, presidente do Itaú e vice-diretor do IIF, destaca que Brasil entra na crise melhor preparado que em décadas anteriores. Ele não acredita que o crescimento seja de apenas 0,8% e justifica que os números foram feitos antes do pacote de ajuda do governo. Mas, na melhor das hipóteses, ele aponta que o crescimento chegaria perto de 2%. Já o governo fala de uma expansão de 4%. “Esse vai ser um ano de ajustes, com novo nível de câmbio, e isso vai afetar o PIB. Mas podemos voltar a crescer entre 3% e 4% em 2010”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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