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Brasil fica seis horas sem gás boliviano

Manifestantes bolivianos interromperam durante a manhã de ontem um dos principais gasodutos de escoamento de gás boliviano para o Brasil. O Gasoduto Yacuíba-Rio Grande (Gasyrg), que liga campos produtores do sul da Bolívia ao Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), ficou parado por mais de seis horas, período em que o Brasil deixou de receber 3 milhões de metros cúbicos do combustível.

Agência Estado |

A situação foi normalizada por volta do meio-dia, mas especialistas advertem para o risco de novos incidentes.

Com capacidade de transportar 17 milhões de metros cúbicos por dia, o Gasyrg é responsável por metade do gás enviado ao Brasil, que importa a média de 31 milhões de metros cúbicos por dia. As operações do duto foram suspensas às 5h45, em razão do fechamento de uma válvula por opositores do governo Evo Morales.

"Até o momento, o fornecimento de gás natural para o mercado brasileiro não foi afetado. Para garantir o abastecimento, a Petrobrás adota, desde ontem, medidas do seu plano de contingenciamento", informou a companhia, em nota. Entre essas medidas está a substituição do gás consumido em suas refinarias por outros combustíveis. Três térmicas reduziram as operações, retirando 800 megawatts (MW) do sistema.

Durante o dia, o risco de faltar gás chegou a causar pânico. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, uma redução desse porte, se mantida, poderia causar problemas no abastecimento do Rio e de São Paulo. O governo paulista chegou a falar em plano de contingência.

A Petrobrás avisou as distribuidoras de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, que poderia abrir os estoques estratégicos para garantir um volume maior do produto - o GLP substitui esse último em indústrias como de cerâmica e de vidros.

No meio da tarde, a Transierra, empresa que opera o Gasyrg, informou que o fluxo do gasoduto havia sido quase totalmente retomado. "Já estamos operando com a capacidade de 14 milhões de metros cúbicos por dia", disse o diretor de Relações Institucionais da companhia, Hugo Muñoz.Os 3 milhões de metros cúbicos restantes só serão restabelecidos quando a empresa terminar o reparo da válvula danificada anteontem, no primeiro ataque aos gasodutos.

A redução de 3 milhões de metros cúbicos por dia, porém, é "perfeitamente administrável", diz o consultor Marco Tavares, da GasEnergy. Nas suas contas, a Petrobrás consegue absorver uma queda de até 8 milhões de metros cúbicos por dia. Ele alerta, porém, para a possibilidade de novos cortes no fornecimento. "A Bolívia está à beira de uma guerra civil; é um risco constante de cortes."

"As válvulas foram religadas, mas ainda não é uma situação de total segurança", admitiu Lobão, no fim da tarde de ontem.

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