China enviou 22 técnicos ao IBGE para aprender cartografia digital, enquanto modelo de cálculo do PIB é exportado à América Latina

O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Nunes, evita dizer que o Brasil se tornou referência internacional na elaboração de pesquisas. Mas o fato é que, nos últimos tempos, um número maior de países têm solicitado apoio do órgão para construir suas estatísticas. O instituto vai exportar técnicas usadas no Censo de 2010 para o Iraque, Angola e Senegal. Na América Latina, o IBGE já é modelo no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre outras frentes de atuação, o IBGE já presta suporte formal para o censo de Cabo Verde, numa iniciativa que conta com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Em março, o instituto doou 150 minicomputadores, chamados de PDA (Assistente Pessoal Digital), ao instituto de estatística do país africano, para a realização da pesquisa que acontece neste ano, assim como no Brasil. Também treinou funcionários da instituição para o uso dos equipamentos.

Além do convênio de cooperação firmado com Cabo Verde, o IBGE realizou intercâmbios informais com Paraguai, Guiné-Bissau, Moçambique e China. Todos estes países trocaram informações com o Brasil para construir suas pesquisas de contagem da população.

“Há algumas áreas nesse campo de elaboração do censo nas quais o Brasil está muito avançado e é até uma referência", afirma Nunes. "Mas apenas em algumas áreas, a exemplo do uso de tecnologias inovadoras, como o uso de GPS na combinação de informações."

O apoio do IBGE aos estrangeiros, no entanto, vai além do uso da tecnologia. Institutos de pesquisa têm recorrido ao IBGE para aprender métodos de desenho de mapas, por exemplo. A China enviou 22 técnicos ao Brasil para conhecer o trabalho de base cartográfica digital do IBGE.

No ano passado, Argentina, Uruguai e Chile também enviaram técnicos a Rio Claro (SP) para aprender com a realização do censo experimental, prévia da pesquisa que o IBGE realizou para testar as novidades do Censo de 2010 .

Os institutos de pesquisa que requerem apoio do Brasil para a construção de metodologias solicitam suporte diretamente do IBGE ou recorrem a organismos multilaterais, como a ONU. Outra porta de acesso ao IBGE é o Ministério das Relações Exteriores, que também serve de ponte entre o órgão e institutos de pesquisa de outros países.

PIB made in Brazil

O IBGE se prepara para ajudar países da América Latina a modernizar o cálculo do PIB. Bolívia, Peru e Equador solicitaram suporte do instituto nesta tarefa. O Brasil, por sua vez, aprendeu com a França as novas metodologias que servem de padrão internacional. Durante dez anos, técnicos do IBGE estudaram a metodologia adotada hoje na formulação do PIB.

O coordenador de Contas Nacionais, Roberto Olinto, que comanda a realização o PIB, afirma que o IBGE recebeu a visita de técnicos da Nicarágua, Honduras e Cabo Verde e Paraguai nos últimos anos. Todos em busca de técnicas mais modernas de elaboração do PIB. “O sistema de Contas Nacionais no Brasil é avançado porque aprendemos o que é referência internacional”, diz Olinto.

Um dos objetivos dos países latino-americanos é padronizar as estatísticas. Os países do Mercosul têm se reunido periodicamente para discutir formas de padronização. O número de atividades econômicas publicadas nas Contas Nacionais, por exemplo, é alvo de discussão entre os membros do bloco econômico.

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