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Brasil está maduro para Dilma ou Serra, dizem empresários

Dólar a R$ 4, risco-país nas alturas, fuga de capitais. Nem de longe o cenário visto nas eleições de Lula à presidência da República, em 2002, ameaça se repetir este ano. A opinião parece ser unânime entre empresários e economistas ouvidos pelo iG, no decorrer da semana. O melhor de tudo, completam, é que isso tende a acontecer com qualquer um dos candidatos no páreo.

iG São Paulo |

 

Aqui, neste recinto, todo mundo está ganhando dinheiro, diz o presidente de uma grande multinacional, líder em seu setor no Brasil, durante o almoço num dos mais luxuosos restaurantes de São Paulo. Ninguém pensa em mudanças. Se o Serra disser que irá mudar o câmbio, todo mundo aqui vai tirar do bolso do paletó sua estrelinha do PT.

Na opinião desse executivo, que pede para não ser identificado e resume o pensamento da maioria dos entrevistados, parte considerável do empresariado vai optar preferencialmente pela continuidade da política econômica atual nas eleições presidenciais deste ano. Mesmo se a previsão não se confirmar, a declaração dá conta de um cenário que tem se cristalizado: a despeito de a ministra da Casa Civil e candidata governista à presidência, Dilma Rousseff, ser considerada, por alguns observadores, mais à esquerda do presidente Lula, o risco Dilma parece inexistir para esse extrato do eleitorado.

"Eu a conheço"

Entre os grandes empresários, uma das primeiras manifestações públicas desse sentimento foi dada recentemente por Abilio Diniz, presidente do conselho de administração do Pão de Açúcar. Na ocasião em que apresentava Enéas Pestana como novo presidente executivo do grupo, o empresário afirmou, entre outras louvações, que ela pergunta, é muito bem informada. Alguns temas, conhece profundamente. Infraestrutura, conhece profundamente. Conhece empresa. Disse ainda ¿ não sem fazer a ressalva de que as declarações não eram manifesto público de seu voto ¿ por que será que eu gosto da Dilma? Porque ela é ministra da Casa Civil e eu me encanto com ministra da Casa Civil? Não, eu gosto da Dilma porque eu a conheço.

O cenário contrasta com o de 2002, quando ao risco Lula foi creditada uma onda de pessimismo na economia, que fez o risco-País disparar e o dólar atingir a cotação de R$ 4,00. Após sacramentada a vitória do então candidato petista, bancos internacionais apressaram-se em distribuir relatórios em que afirmavam que o risco Lula havia se dissipado e que o candidato vitorioso passara ao status de market friendly, o queridinho dos mercados.

Dos mercados que se assustaram em 2002 partiu relatório mostrando que a disputa de 2010 deverá ocorrer sem os solavancos de oito anos atrás. Segundo cenário projetado pelo banco americano Merrill Lynch, distribuído em documento na semana passada, em caso de vitória Dilma Rousseff, os investidores podem esperar por manutenção dos fundamentos da economia e mais gastos sociais.

Caso a presidência fique com o governador de São Paulo, José Serra, o empresariado tão pouco parece ver grandes ameaças. Com Serra, o cenário projetado é de menos gastos públicos. Porém, declarações do governador sobre mudanças na política macroeconômica _juros, câmbio e meta de inflação_ levantam mais preocupações, principalmente junto ao mercado financeiro.

Menos jogo de cintura

Dilma, é claro, não é uma unanimidade. Ao contrário do que ocorreu com o presidente Lula em 2002, a ministra tem recebido afagos antes da eleição. Um dos motivos é que a opção Dilma Rousseff, como afirma o presidente de uma das dez maiores empresas do País em faturamento, ouvido pelo iG, como continuidade da política econômica. No entanto, ao contrário de Lula, diz o executivo, Dilma tem menos jogo de cintura no embate político, o que poderá trazer dificuldades para ela conquistar uma boa maioria no Congresso.

As declarações levam a uma constatação resumida por Adalberto Febeliano, diretor de relações institucionais da Azul Linhas Aéreas. Empresas não têm preferência política, diz ele. Isso é ainda mais importante em um setor altamente regulado como é o setor aéreo.

Outras manifestações seguem essa linha. Não importa quem vai assumir. O que importa é que o Brasil vai continuar a surfar essa onda de desenvolvimento, diz Alexandre Dias, presidente do Google no Brasil. Ele não é o único a pensar dessa maneira. Teremos uma transição tranquila, não importa o candidato que vença, afirma Joesley Mendonça Batista, presidente do grupo JBS, maior produtor e exportador de carnes do mundo. A beleza de uma economia aberta é essa: se o governo, seja qual for, fizer besteira, a bolsa cai, o mercado se estressa e será preciso voltar atrás. Ninguém quer isso. 

(Alexa Salomão, André Vieira, Gustavo Poloni e Patrick Cruz, do iG São Paulo)

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