PORTO - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse hoje que o Brasil enfrenta a crise em melhores condições que outros países e, apesar de sofrer seus efeitos, manterá um crescimento acima da média mundial.

Meirelles chegou hoje à cidade do Porto, no norte de Portugal, para participar na segunda-feira da reunião de ministros de economia e governadores de bancos centrais ibero-americanos.

"O Brasil enfrenta esta crise em condições vantajosas em relação a outras partes do mundo", declarou o presidente do BC, apesar de ter dito que isso não exime o país de enfrentar "problemas evidentes em consequência da crise global".

Meirelles destacou que o Brasil terá um crescimento da economia acima da média mundial durante 2009, mas reconheceu que há uma desaceleração, que "não impedirá que o crescimento esteja acima da média".

O presidente do BC ressaltou que a vantajosa posição do Brasil está no fato de se tratar de um "credor líquido em nível internacional" e contar com grandes reservas financeiras.

A boa situação do Brasil se baseia também na solidez das finanças públicas, fatores que dão ao país, segundo Meirelles, capacidade de enfrentar a restrição de liquidez internacional e financiar as exportações de suas empresas.

No entanto, Meirelles não quis antecipar uma previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2009, dado que será publicado no final do mês pelo Banco Central.

O presidente do BC lembrou em relação à situação macroeconômica que no Brasil a demanda doméstica crescia 9,3% até setembro de 2008 - quando começou a crise - pelo aumento da renda e a massa salarial.

Segundo Meirelles, no Brasil já foram tomadas as medidas fiscais adequadas para facilitar sua entrada na crise com forte crescimento.

Quanto à reunião dos ministros de Economia e Finanças ibero-americanos, destacou que na conferência será feita uma análise das razões que geraram a crise e as medidas a adotar para enfrentá-la da melhor maneira possível.

A reunião ministerial da segunda-feira está centrada na crise financeira mundial, seu forte impacto na região e a agenda da cúpula de abril do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) em Londres.

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