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Brasil enfrenta a crise, mas sem reformas profundas

Por Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido rápido em anunciar medidas de reação à crise global, mas, apesar da enorme popularidade, evita reformas políticas e econômicas que poderiam aumentar a competitividade do Brasil.

Reuters |

Interessado em manter a fase de crescimento, a maior em várias décadas, e também em eleger seu sucessor -- que muitos dão como certo que será a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Roussef -- Lula está recorrendo a bancos públicos para combater a crise de crédito que afeta a economia.

Várias medidas do Banco Central para injetar liquidez e conter a queda do real, junto com benefícios fiscais para estimular a aquisição de automóveis e outros bens duráveis, reforçam a percepção de que Lula está lidando bem com a crise.

Sua taxa de aprovação saltou de 77,7 por cento em setembro para 80,3 por cento em dezembro, um recorde histórico, segundo pesquisa do instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes.

Mas críticos dizem que Lula está apenas debelando um incêndio em vez de garantir o futuro do crescimento econômico.

"São todas medidas cíclicas e de curto prazo, tomadas sob pressão de grupos de interesse"m disse Júlio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do governo Lula. "Eles abandonaram a idéia dos cortes de gastos e ganhos de eficiência."

Reformas para afrouxar as leis trabalhistas, dar mais transparência aos sindicatos e reduzir benefícios sociais, de modo a limitar os gastos públicos, foram arquivadas, sem perspectiva de retomada.

"Não há espaço para isso", disse em entrevista o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

Em parte devido aos gastos previdenciários, o Brasil tem uma das maiores cargas fiscais do mundo, o que afeta a competitividade das suas empresas. Os impostos representam 38 por cento do PIB do Brasil, o dobro do que na China e na Índia.

Projetos destinados a limitar gastos públicos e blindar as agências reguladoras de interferências políticas, as quais segundo investidores geram incertezas, também estão parados no Congresso.

Múcio disse que a falta de avanços se deve a desentendimentos entre os 11 partidos da coalizão governista.

"Não conseguimos aprovar as reformas necessárias no Congresso. Todos têm interesses próprios", disse ele.

O governo tentará no ano que vem aprovar uma reforma fiscal que unifique os inúmeros impostos sobrepostos, e uma reforma política para dar transparência e disciplina aos partidos.

Ambas as propostas podem ficar pelo caminho, pois os partidos já começam a se preocupar mais em garantir uma boa posição para 2010 do que em legislar.

A adoção de regras mais rígidas para os financiamentos eleitorais, que foi uma das fontes do escândalo do Mensalão (2006), também está descartada, segundo Múcio. "Não vejo isso acontecendo, não há consenso."

Críticos dizem que já é tarde demais para buscar reformas mais agressivas.

"O governo teve seis anos para realizar grandes reformas, e não o fez. Nenhum governo tem os meios para isso nos últimos dois anos", disse Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM.

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