Rio de Janeiro, 23 set (EFE) - O Governo brasileiro elevou hoje sua meta de exportações este ano de US$ 190 bilhões para US$ 202 bilhões, apesar da crise financeira internacional, que pode afetar a demanda de importantes destinos de produtos do país, como os Estados Unidos.

A nova meta foi anunciada hoje publicamente pelo secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral.

Trata-se da segunda vez neste ano que o Governo eleva a meta das exportações para 2008, depois que a tinha aumentado dos US$ 172 bilhões previstos inicialmente para US$ 190 bilhões em junho.

Nos primeiros oito meses do ano, o país exportou US$ 130,8 bilhões, apesar de o dólar ter caído em agosto para seu menor patamar dos últimos nove meses (R$ 1,58) e de os exportadores terem reclamado que a valorização do real reduzia sua competitividade no exterior.

O real se depreciou nos últimos dias como conseqüência da crise financeira internacional e hoje abriu a US$ 1,823, mas os exportadores temem agora que a crise reduza a demanda por produtos brasileiros no exterior, principalmente nos EUA, um de seus principais destinos.

A crise provocou também a queda dos preços internacionais de matérias-primas e produtos agrícolas dos quais o Brasil é grande exportador.

De acordo com Barral, apesar da redução dessas cotações, os preços ainda estão acima dos registrados em 2007.

O funcionário disse ainda que a nova meta para as exportações não leva em conta até agora a depreciação do real nos últimos dias, que, se for mantida, pode favorecer as vendas ao exterior.

Acrescentou que a valorização do real e a crise internacional começarão a se refletir na balança comercial brasileira apenas em 2009 e disse que o Brasil está em melhores condições por ter reduzido sua dependência dos EUA como mercado comprador.

"A meta é ambiciosa porque consideramos que a média mensal nos últimos quatro meses do ano será superior a dos primeiros", disse Barral.

A média mensal das exportações nos primeiros oito meses do ano foi de US$ 16,3 bilhões e o Governo calcula que poderá chegar a US$ 17,7 bilhões nos últimos quatro meses.

O Governo considera que para o cumprimento da meta podem contribuir especialmente o aumento das exportações de aviões, petróleo e telefones celular.

Se a nova meta for cumprida, o Brasil fechará o ano com um crescimento de 25,8% em suas exportações frente ao ano passado (US$ 160,6 bilhões).

Apesar do forte aumento das vendas, como as importações estão crescendo a um ritmo maior, tanto o Governo quanto os economistas dos bancos privados prevêem uma redução do superávit comercial do país este ano.

O Banco Central calcula que o superávit cairá este ano cerca de US$ 25 bilhões, depois de ter sido de US$ 40,039 bilhões em 2007 e de um recorde de US$ 46,456 bilhões em 2006.

Os bancos privados prevêem que o saldo positivo no comércio exterior este ano será ainda inferior (US$ 23,5 bilhões) e que em 2009 cairá para US$ 14,25 bilhões. EFE cm/ab/db

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