O Brasil e a União Europeia (UE) reafirmaram nesta segunda-feira em Bruxelas seu compromisso com a conclusão de um acordo entre o bloco europeu e o Mercosul e com a Rodada de Doha da OMC, por ocasião de uma visita à capital belga do chanceler brasileiro, Celso Amorim.

Amorim, que também viajará à Holanda e a Cabo Verde, se reuniu nesta segunda-feira com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e com a comissária europeia para as Relações Exteriores, Benita Ferrero Waldner, para tratar de questões bilaterais e de assuntos relacionados à política internacional.

"Ressaltamos a importância de um acordo entre o Mercosul e a UE, e de continuar o diálogo para avançar rapidamente neste sentido. Também falamos da Rodada de Doha, que está passando por um momento complicado mas da qual não vamos desistir", declarou Amorim depois da reunião com Ferrero Waldner.

"Existe um consenso entre o Brasil e a UE sobre o fato de que a Rodada de Doha deva ser concluída", acrescentou.

"Há dificuldades políticas, mas também motivações de natureza política para a conclusão da Rodada de Doha. Não chegaremos a lugar nenhum se continuarmos a nos focalizar em nossas pequenas desavenças. Ao contrário, se os líderes se concentrarem no que realmente importa para a economia mundial, haverá possibilidades reais de progresso", analisou.

Lançadas em 2001, as negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) continuam paralisadas por fortes divergências entre os países ricos e as nações emergentes e em desenvolvimento.

Já as negociações para um acordo de livre-comércio entre a UE e o Mercosul estão paralisadas desde 2004 por desavenças nos setores da agricultura e dos serviços e bens industriais. Estas discussões dependem em grande parte do sucesso da Rodada de Doha.

Na quinta-feira passada, os Estados Unidos e a UE defenderam em comunicado conjunto a finalização "o quanto antes" da Rodada de Doha, e conclamaram os países a combater o protecionismo.

Entretanto, e apesar destas declarações de boa vontade, Amorim frisou que "não foi marcada uma data" para uma eventual retomada das discussões na OMC, após o fracasso da conferência ministerial de julho de 2008 em Genebra.

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