ASSUNÇÃO (Reuters) - Brasil e Paraguai firmaram na segunda-feira um acordo para a construção de uma subestação elétrica, como o primeiro passo de um complexo processo de negociação sobre a energia produzida pela central binacional Itaipu, anunciaram autoridades. Comissões técnicas de ambos os países se reuniram pela primeira vez na segunda-feira para iniciar conversas sobre a demanda paraguaia de se beneficiar mais com a usina, uma das mais potentes do mundo.

Os países concordaram em iniciar em 2009 a construção da subestação que permitirá ao Paraguai receber e distribuir o total da energia que lhe corresponde, que representa 50 por cento do total produzido de cerca de 90 milhões de megawatts por ano.

Por conta do tratado, o Paraguai deve vender ao Brasil o que não utiliza, que é menos de 20 por cento da produção. A construção da subestação, estimada em 18 milhões de dólares, com início previsto para 2009.

"O benefício é que o Paraguai pode acessar 100 por cento de sua energia. Uma vez construída a subestação, todas as indústrias que queiram instalar-se poderão fazê-lo", disse em uma coletiva de imprensa Ricardo Canese, um dos negociadores paraguaios.

Os técnicos concordaram também com o início de um estudo de viabilidade para levar a cabo obras que permitam a navegação total sobre o rio Paraná, atualmente inviabilizada pela represa.

Brasileiros e paraguaios decidiram, além disso, formar duas subcomissões: uma de estudos energéticos, para analisar a livre disponibilidade de energia e o preço justo reclamado por Paraguai; e outra financeira, que estude uma dívida milionária que a central mantém com a estatal brasileira Eletrobras.

A delegação brasileira foi ao Paraguai sob o comando do ministro interino de Minas e Energia, Márcio Pereira Zimmermann, para encontrar-se com uma delegação local liderada pelo ministro de Relações Exteriores, Jorge Lara Castro, na reunião que aconteceu na usina.

"A comissão trabalhará de modo que os direitos dos dois países sejam respeitados", disse Zimmermann.

Ambas as comissões apresentarão um informe durante a próxima reunião da equipe, marcada para o final de outubro.

Itaipu gera cerca de 20 por cento da eletricidade consumida no Brasil. Uma das demandas do novo governo paraguaio, liderado pelo presidente Fernando Lugo, é a revisão do tratado de fundação da usina, que estará em vigor até 2023.

(Reportagem de Mariel Cristaldo)

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