Assunção, 22 out (EFE).- Brasil e Paraguai deveriam buscar uma saída conjunta para o problema em território paraguaio entre produtores agrícolas e fazendeiros brasileiros e camponeses daquele país que reivindicam posse de terras, afirmou hoje Bernardo Mançano Fernandes, do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso).

Coordenador do grupo de trabalho de Desenvolvimento Rural do Clacso, Fernandes afirmou que os brasileiros que estão no Paraguai saíram do Brasil por terem sido expulsos de suas terras e foram para a nação vizinha "porque o Estado paraguaio não tem controle nenhum sobre suas terras".

Calcula-se que cerca de 300 mil brasileiros, os chamados "brasiguaios", vivem há décadas no Paraguai ao longo da extensa fronteira com o Brasil. Além disso, a maioria deles são grandes plantadores de soja.

"Os Governos paraguaio e brasileiro têm que criar um grupo de trabalho para pensar em uma solução para este problema histórico", destacou Fernandes uma semana depois de grupos de lavradores organizados e de sem-terra do departamento de San Pedro dessem um prazo a brasileiros que plantam soja na região para deixar suas fazendas.

Mançano Fernandes considerou que "não é necessário manter a concentração de terras, o importante é democratizar o acesso a elas".

"Por que não há brasileiros que entraram na Argentina ou em outros países da região em um volume tão grande como no Paraguai?", perguntou ele, para logo depois responder.

"O Estado (paraguaio) em algum momento facilitou essa condição, e o brasileiro se valeu dessa facilidade", ressaltou Fernandes.

A disputa entre os grupos de lavradores de San Pedro e os fazendeiros do Brasil levou o Chefe de Estado paraguaio, Fernando Lugo, a se comprometer na semana passada em garantir "o respeito dos direitos humanos, civis e políticos de qualquer residente" brasileiro no país.

Em várias regiões do país, centenas de camponeses estão acampados ao redor das fazendas e propriedades agrícolas sob ameaça ocupá-las novamente, após uma trégua estipulada com o Governo.

Os camponeses radicais argumentam que no passado grandes extensões de terra fiscais foram cedidas a pessoas não submissas à reforma agrária, e que o cultivo mecanizado de soja prejudica as florestas e polui o meio ambiente com as fumigações. EFE rg/rb

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