Genebra, 23 jul (EFE).- O Brasil e a Índia defenderam hoje uma posição protecionista de seus mercados industriais diante da ofensiva dos países desenvolvidos, que pedem uma maior abertura.

"Os países em desenvolvimento têm indústrias micro e pequenas.

Não devemos esquecer que os países emergentes lutam para poder se industrializar, e muitos outros em desenvolvimento não puderam se industrializar por causa dos atuais fluxos comerciais", disse o ministro do Comércio indiano, Kamal Nath, ao lado do chanceler brasileiro, Celso Amorim.

Cerca de 30 ministros da Organização Mundial do Comércio (OMC) estão reunidos esta semana, em Genebra, tentando desbloquear a Rodada de Doha, negociada há sete anos.

"Temos que conseguir que qualquer resultado (da rodada) leve em conta a industrialização dos países em desenvolvimento", acrescentou o ministro indiano.

"Lembremos que buscamos e queremos uma rodada do desenvolvimento", acrescentou Amorim.

Os dois ministros responderam, assim, aos reiterados pedidos dos países desenvolvidos que solicitam às nações pobres e emergentes que façam um gesto e abram mais seus mercados industriais.

Os países em desenvolvimento argumentam que já estão fazendo concessões suficientes e lembram aos ricos que suas incipientes e frágeis indústrias estarão em perigo se reduzirem de forma drástica as tarifas.

Conscientes dessa postura, os países desenvolvidos pedem que pelo menos seja incluída no acordo uma cláusula de anticoncentração, que evitaria que os emergentes pudessem salvar completamente um setor específico dos cortes de tarifas estipulados, o que os emergentes rejeitam.

"A anticoncentração não está no acordo marco. Todos os países em desenvolvimento devem proteger as indústrias micro e pequenas, e, se isso impede o acordo, pois assim será", disse Nath.

Celso Amorim foi um pouco mais cauteloso, mas deixou claro que o que foi possível até agora foi graças à unidade dos emergentes.

"Todos os senhores que acompanharam a rodada todos estes anos sabem que nunca estivemos onde estamos hoje, e isso é graças ao G20 (grupo de países em desenvolvimento) e a nossa unidade". EFE mh/an

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