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Brasil e China querem lançar parceria estratégica

Brasil e China pretendem lançar, ainda neste semestre, um plano de ação da parceria estratégica, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim. O foco estaria no equilíbrio do comércio bilateral, no aumento do fluxo de investimentos e na cooperação tecnológica.

Agência Estado |

Reafirmado hoje pelos chanceleres Celso Amorim e Yang Jiechi, o discurso político em favor de um impulso na relação econômico-comercial entre os dois emergentes se mostrou incoerente a duas recentes iniciativas - a investigação brasileira de dumping na importação de calçados chineses e a desistência da companhia chinesa Baosteel em investir no setor siderúrgico do Espírito Santo.

Na porta principal do Itamaraty, ao final de seu encontro, Yang tentou desfazer o mal-estar causado pela decisão da Baosteel de cancelar a construção da Companhia Siderúrgica Vitória, em conjunto com a Vale. O projeto envolveria investimento de US$ 5,5 bilhões e geraria três mil empregos. O chanceler chinês afirmou a Amorim que a Baosteel estuda reconsiderar sua decisão. Mas acrescentou que, depois de sete anos, a companhia não quer perder mais tempo para executar esse projeto.

Amorim, entretanto, não demonstrou otimismo. À imprensa, comentou que a construção da siderúrgica foi vetada por órgãos estaduais de meio ambiente - uma esfera sobre a qual o governo federal não teria como influir diretamente. "Nós lamentamos. Não sei se a decisão é reversível ou não. Se conversarmos mais, quem sabe possamos não desperdiçar essa oportunidade", afirmou Amorim.

O chanceler brasileiro preferiu apostar no possível financiamento do Banco Chinês de Desenvolvimento a investimentos chineses nos setores brasileiros de etanol, complexo soja e de infraestrutura. Como forma de elevar as exportações brasileiras, comentou sua expectativa de aumento da injeção de recursos privados do País na fabricação de motores e máquinas na China e nas obras públicas anunciadas por Pequim para amenizar o impacto da crise financeira.

Embora Yang tenha acentuado a necessidade de fomentar o comércio e de "equilibrar" a balança bilateral, que fechou 2008 com déficit de US$ 3,363 bilhões para o Brasil, Amorim deixou claro que a concorrência com a China traz aos produtores brasileiros mais temor que fascínio. "Queremos mais ênfase no fascínio", defendeu. Mas, diante da imprensa, ambos os ministros esquivaram-se de abordar os riscos de desvio de produtos chineses, antes embarcados para a Europa e os Estados Unidos, para o mercado brasileiro.

O fenômeno tem sido notado pelo setor calçadista, que teve seu pedido de investigação de dumping sobre os concorrentes chineses acatado em 29 de dezembro passado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). "O Brasil está se tornando um ponto de desova dos excedentes chineses", afirmou o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso. "O Brasil derrubou o calçado italiano há 30 anos. Chegou a vez de a China tomar esse mercado", reagiu hoje o embaixador chinês no Brasil, Chen Duqing.

Apesar desses contratempos, Yang soube tratar de temas caros ao governo brasileiro durante sua audiência com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, e sua reunião com Amorim. Insistiu que o Brasil e a China são países de peso em suas respectivas regiões e têm papel importante a executar, como vozes do mundo emergente, para a superação da crise financeira global, a retomada do crescimento e a estabilidade. Com Lula, acertou a realização de quatro encontros bilaterais de alto nível antes da visita oficial do presidente brasileiro a Pequim.

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