O Brasil e a Argentina começarão na segunda-feira (dia 6) o comércio bilateral sem o uso dos dólares, o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML), ou o denominado comércio desdolarizado. Com isso, o comércio entre empresários dos dois países poderá ser realizado em pesos e reais, deixando de lado a moeda americana, utilizada há décadas nas operações de exportações e importações.

A presidente Cristina Kirchner, que comandou a cerimônia de formalização do sistema na sede do Banco Central em Buenos Aires, disse que o lançamento do SML é "um fato histórico, que transcende as fronteiras da economia e das finanças". Cristina exaltou a desdolarização do comércio, e - em tom de autocrítica - afirmou que os argentinos durante décadas "só pensaram em dólares, ao contrário do Brasil, onde as pessoas pensam em reais... e também de forma mais real". Já o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, convidado especial do evento, afirmou que "o início das operações do novo sistema em moedas locais ocorre, por coincidência, em um período de forte instabilidade nos mercados financeiros internacionais, que está semiparalisado, e de restrição de liquidez às operações comerciais globais".

A idéia do comércio desdolarizado é um velho projeto na região. Mas, somente nos últimos três anos, as equipes econômicas dos dois países - e os integrantes dos bancos centrais - começaram a detalhar o esquema. Em 7 de setembro, durante a visita de Cristina Kirchner a Brasília, foi assinado um acordo que marcou o lançamento do SML para 6 de outubro. O plano, segundo fontes do governo argentino, é que a desdolarização do comércio seja o pontapé inicial para a integração monetária do bloco do Cone Sul, o que levaria à criação de uma moeda única do Mercosul. Quando o bloco foi criado, o comércio entre Brasil e Argentina era de US$ 1 bilhão. Hoje, ultrapassa US$ 30 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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