Buenos Aires, 12 mar (EFE).- O Brasil e a Argentina combinaram hoje buscar soluções setor por setor para corrigir os desequilíbrios em suas trocas comerciais, que despencaram nos últimos dois meses devido ao impacto da crise financeira internacional.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Brasil, Samuel Pinheiro Guimarães, e o secretário de Comércio e Relações Internacionais da Chancelaria argentina, Alfredo Chiaradía, resolveram promover uma série de reuniões "nas próximas semanas".

Os encontros serão entre funcionários de ambos os Governos e representantes dos setores atingidos pelo desequilíbrio no comércio externo.

Em entrevista coletiva após a reunião que tiveram hoje em Buenos Aires, Samuel e Chiaradía disseram que a região vive as "repercussões" e certos "momentos de tensão" decorrentes do "processo delicado" que a economia mundial atravessa.

"Estamos diante de uma crise econômica de enorme dimensão, talvez a mais grave de toda a história", afirmou o vice-chanceler brasileiro.

Já Chiaradía disse que tanto o Brasil como a Argentina aplicaram medidas para proteger suas indústrias e o emprego frente a "agressões" que vêm "de outras partes do mundo".

Nas últimas semanas, Brasília expressou certa preocupação com a decisão de Buenos Aires de aplicar licenças não automáticas e preços mínimos para a entrada na Argentina de aproximadamente 200 produtos de todo o mundo.

Hoje, a Argentina frisou que essas medidas, também aplicadas pelo Brasil, não são "protecionistas".

Para diminuir o tom da disputa, tanto Samuel como Chiaradía reiteraram a "aliança estratégica" entre ambos os países, o "objetivo comum de fortalecer a integração" e o propósito compartilhado de estabelecer "níveis apropriados de comércio".

Na reunião desta quinta, classificada por ambos como "frutífera e harmoniosa", uma série de encontros por setores foi acertada..

Nesses encontros, Governos e representantes de empresas de farinhas, motocicletas, ferramentas, brinquedos, calçados e eletrodomésticos, entre outras, buscarão alternativas para equilibrar o comércio que não necessariamente impliquem o estabelecimento de quotas para as trocas comerciais.

"Os empresários se manifestam de maneira forte quando um interesse pontual é afetado, mas sempre há margens de recuo em posições para o alcance de um ponto de convergência que possa ser aceitável por todos", disse Chiaradía. EFE nk/sc

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