O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, advertiu ontem que o Brasil poderá, se necessário, abrir uma controvérsia (queixa)com os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) se a cláusula buy american (compre produto americano) for sancionada pelo presidente americano, Barack Obama. De caráter protecionista, a medida faz parte do pacote de estímulo econômico aprovado ontem pelo Senado americano.

O texto deverá ser harmonizado com a versão da Câmara antes de ser submetido ao aval de Obama.

A cláusula prevê que insumos do setor siderúrgico e manufaturas destinadas a obras públicas incluídas nesse pacote sejam fornecidos por empresas locais ou por países com os quais os EUA tenham acordos de compras governamentais. Esse universo se resume à União Europeia, ao Canadá e ao México. O Brasil e outros potenciais fornecedores estarão excluídos desse mercado.

Amorim alertou ainda que, se prevalecer, a iniciativa americana tende a alimentar um círculo protecionista que prejudicará o próprio interesse dos Estados Unidos. Para o chanceler, "produtos mais sofisticados e mais evoluídos" exportados pelos EUA serão os primeiros alvos de medidas protecionistas de seus parceiros comerciais.

"Não adianta dizer para os americanos compre América, se ninguém mais comprar (produtos americanos). Eles (membros do governo americano) sabem disso." Em claro recado à administração Obama, o chanceler salientou que, neste momento de crise econômica, "é natural que os olhos de cada governante" estejam postos nas pressões internas.

Ontem, o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, afirmou que o governo vai reagir de forma mais agressiva, em reuniões bilaterais, contra medidas que derrubaram as exportações brasileiras. Durante o lançamento da Agenda Internacional de 2009 para o Comércio Exterior, Barral informou que, na sexta-feira, o Brasil tentará reverter a decisão do Equador de elevar tarifas, adotar cotas e aplicar barreiras não-tarifárias ao Brasil. Na próxima semana, será a vez da Argentina. A atitude do Equador foi avaliada como uma denúncia do acordo de livre comércio entre esse país e o Mercosul. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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