Tamanho do texto

SÃO PAULO - Sob os efeitos da crise global, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá crescer 2% no ano que vem, segundo prevê estudo do HSBC Global Asset Management. Para 2008, a previsão é de uma expansão econômica de 5,2%, com o quarto trimestre podendo registrar um crescimento negativo.

A retração da economia global, o aumento da aversão ao risco, a queda no preço das commodities, o travamento do crédito e a desaceleração do mercado de trabalho são alguns dos fatores listados pela instituição que levarão o Brasil a um período difícil no próximo ano. "A crise é gigante. Não dá pra acreditar que não vamos passar por dificuldades também", afirmou Mario Felisberto, diretor de investimentos do HSBC Global Asset Management.

Esses resultados se verificarão, segundo ele, mesmo com as medidas tomadas pelo governo brasileiro para o desbloqueio do crédito e melhora da liquidez. "As iniciativas do governo têm sido efetivas no sentido de evitar o pior", disse Felisberto. No entanto, segundo o CEO do HSBC, Pedro Bastos, tanto os planos dos países desenvolvidos quanto os brasileiros demoram para serem realmente implementados. "Quando a implementação se efetivar, começaremos a ver o início de uma recuperação", completa Bastos.

As grandes flutuações do mercado financeiro mundial também marcarão o próximo ano. "O primeiro semestre de 2009 será nebuloso. Não dá para acreditar em uma retomada nem no segundo semestre. Talvez só no fim do ano consigamos enxergar algo positivo no futuro", afirmou o diretor de investimentos.

No Brasil, isso se explica pela forte revisão dos lucros das empresas para baixo. Segundo o HSBC, o lucro das companhias devem apresentar um crescimento de 5% em 2008 com relação ao ano passado, resultado motivado principalmente pelos ajustes cambiais. Para 2009, a estimativa é de um avanço de 13,3% nos lucros. "Mas essa previsão provavelmente será revisada. Hoje as empresas do país estão numa fase de revisão para baixo", afirmou Mario Felisberto. Ele explica que, dentre as companhias dos países emergentes, as brasileiras estão mais expostas à economia global e à queda das commodities.

De acordo com o estudo, o dólar deve ficar no patamar R$ 2,30 em 2009 e a inflação será de 5,3%, um pouco acima do centro da meta, de 4,5%. Esse contexto justificaria a manutenção da taxa Selic em 13,75% no próximo ano. "Saímos de um período de franca expansão, mas agora temos que enfrentar uma situação bem diferente da que vivenciávamos", concluiu o diretor de investimentos.

Essa conjuntura de menor crescimento prevista para o Brasil se verificaria também nos demais emergentes, segundo o HSBC. A instituição acredita que a China deve concentrar as atenções do mundo no próximo ano, podendo registrar um avanço no PIB de 7,8% , enquanto os demais emergentes (excluindo a China) devem crescer 4,1%.

Já nos países no centro da crise, a situação seria bem pior. Segundo as estimativas do HSBC, a economia dos EUA pode apresentar uma retração de 0,8% no ano que vem, enquanto a da Europa deve ter contração de 0,6% e o Japão, de 1,7%.

(Vanessa Dezem | Valor Online)