Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Brasil deixa de ser ameaça para virar modelo para os argentinos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Brasil tornaram-se, nos últimos anos, uma fonte de admiração e saudável inveja na Argentina. As lideranças da oposição recorrem constantemente à figura do presidente brasileiro para citá-lo como exemplo de consenso, em contraposição às personalidades adeptas do confronto político como a presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner.

Agência Estado |

Os empresários suspiram ao ver os grandes empréstimos concedidos pelo BNDES, lamentam a inexistência de um banco público desse tipo na Argentina e sonham com os generosos financiamentos "à moda brasileira" ao setor agropecuário (enquanto que na Argentina, os ruralistas são alvo de retaliações do governo local).

A própria presidente Cristina Kirchner, no comício de lançamento de sua campanha eleitoral, há exatamente um ano, fez uma única referência à uma empresa. A companhia citada foi a Embraer. "Um exemplo a ser seguido", disse Cristina na ocasião.

"O Brasil é um exemplo a imitar", sustenta Alieto Guadagni, ex-diretor da Argentina no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Depois, espeta o governo Cristina: "O Brasil responde aos desafios estimulando sua produção, e não colocando um monte de impostos sobre ela. Enquanto isso, a Argentina optou por desestimular a oferta produtiva."

"A Argentina não ambiciona mais, como em meados dos anos 90, durante a presidência de Carlos Menem, disputar a liderança com o Brasil. Isso está enterrado no passado", diz ao Estado o ex-Secretário de Comércio, Raúl Ochoa. "Essa sensação ocorre desde 1999, quando a Argentina estava em recessão, e aprofundou-se com a crise de 2001- 2002. De lá para cá, o Brasil tomou outro destino, e a Argentina ficou para trás."

No passado, o peso do Brasil na região soava como "ameaça" para a Argentina. Mas, desde a crise de 2001-2002, a percepção dos argentinos sobre seu próprio país e o vizinho mudou. Agora a força da economia brasileira e sua influência política são encarados como "oportunidades" para a Argentina. Segundo os analistas, o crescimento do Brasil vai beneficiar os argentinos tanto pela expansão da demanda de produtos Made in Argentina para o mercado brasileiro como pelo crescimento dos investimentos brasileiros na Argentina.

"A Argentina precisa aproveitar melhor o crescimento brasileiro", sustenta Dante Sica, diretor da consultoria Abeceb. "É preciso grudar no Brasil e aproveitar sua expansão", afirmam analistas, após destacar a transformação do Brasil no potencial "celeiro do mundo" (título que a Argentina ostentava há um século) e de suspirar de inveja pela descoberta de petróleo na plataforma marítima.

Nos últimos seis anos, dezenas de empresas brasileiras expandiram-se na Argentina, entre elas a Petrobras (que adquiriu a energética Pérez Companc), a AmBev (que comprou a cervejeira Quilmes) e a Camargo Corrêa (que ficou com a Loma Negra, a maior empresa de cimento do país). No total, as empresas brasileiras investiram US$ 8 bilhões na Argentina.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG