GENEBRA - O Brasil deixa de cobrar US 18 bilhões por ano em tarifa de importação, com a diferença entre a taxa média aplicada (cerca de 11% na média) nos produtos vindos do estrangeiro e a taxa máxima que poderia cobrar (35%) pelo acordo atual da Organização Mundial do Comércio (OMC). A cifra foi revelada hoje cedo pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para ilustrar que o país tem mercado aberto e não pode ser acusado de travar a negociação da Rodada Doha por rejeitar demandas que considera excessivas por parte dos Estados Unidos. Indagado se o Mercosul planejava aumentar tarifas, a que tem direito pelo espaço entre a aplicada e a consolidada, Amorim respondeu que o Brasil não está empurrando por isso. Mas sinalizou que a resistência para elevar as tarifas, dentro do que é permitido pelas regras da OMC, pode diminuir, no rastro de fiasco na Rodada Doha e de aprofundamento da crise econômica global.

Amorim admitiu num tom mais humorado que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pode ter suas tentações ao ver a cifra de US$ 18 bilhões que o Brasil deixa de cobrar. "Não é perda, é o que deixa de cobrar", insistiu.

Pelo acordo atual que rege o comércio mundial, o país pode aplicar tarifas na média de 35%, mas o que aplica efetivamente fica por volta de 11%. A diferença é o que no jargão comercial se chama de "água", uma espécie de proteção para o caso de o país aumentar a tarifa, sem ferir acordos, em caso de necessidade.

Pelo acordo de Doha em negociação, essa parte da "água" ? seria cortada substancialmente, diminuindo o espaço para altas de tarifas. A taxa aplicada também seria cortada em muitos casos, mas num percentual que a própria indústria admite ser suportável.

(Assis Moreira | Valor Econômico para Valor Online)

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