Rio de Janeiro, 9 jul (EFE).- O Brasil fechará este ano com crescimento de 4,7%, abaixo dos 5% previstos anteriormente, e com inflação de 6,4%, acima dos 4,7% calculados antes, segundo o Informe Conjuntural da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado hoje.

De acordo com o relatório da CNI, a inflação será muito superior à prevista devido à alta dos preços dos alimentos, e se aproximará do teto da meta do Governo, de 6,5%.

Os industriais também prevêem que, como conseqüência da inflação e da política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para combatê-la, a economia sentirá o peso da elevação dos juros e crescerá abaixo do previsto anteriormente.

"As medidas de política econômica voltadas à contenção da pressão inflacionária - em especial a retomada de uma política monetária restritiva - irão conduzir à desaceleração da economia", afirma o relatório.

De acordo com a CNI, os aumentos dos preços e dos juros prejudicarão principalmente o consumo das famílias, que crescerá apenas 5,5%, contra 7,5% calculados anteriormente.

As previsões do relatório são mais pessimistas do que as apresentadas em abril.

Diante dos temores do Governo acerca da inflação, os industriais prevêem que a taxa básica de juros, atualmente em 12,25% ao ano, aumentará para 14,25% ao ano até dezembro.

A CNI considera que o Banco Central não aumentará ainda mais os juros, já que anunciou sua intenção de elevar o superávit primário para 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

"O compromisso fiscal assumido pelo Executivo é uma ajuda importante na contenção do crescimento da demanda interna e divide com o Banco Central o ônus do combate à inflação, o que deverá limitar a intensidade de elevação dos juros", afirma o documento.

Apesar de o Informe Conjuntural da CNI manter em 5% a expectativa de crescimento da indústria este ano, a previsão para o aumento dos investimentos foi reduzida de 14% para 10,5% em junho.

Os industriais também consideram que, com juros internos mais altos, o Brasil continuará atraindo capital estrangeiro, o que terminará favorecendo a atual valorização do real frente ao dólar, que em junho voltou ao menor patamar desde 1999.

Essa esperada valorização da moeda brasileira levou a CNI a aumentar sua previsão de importações este ano de US$ 165 bilhões para US$ 170 bilhões e a reduzir sua previsão de superávit da balança comercial de US$ 25 bilhões para US$ 20 bilhões.

A previsão de exportações foi mantida em US$ 190 bilhões.

Como conseqüência do menor superávit comercial, a CNI considera que o déficit em conta corrente saltará este ano dos US$ 15 bilhões inicialmente calculados para US$ 20 bilhões. EFE cm/wr/gs

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