Rio de Janeiro - O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento afirmou hoje que espera um acordo menos ambicioso nas negociações da Rodada de Desenvolvimento de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), na próxima semana em Genebra.

"As recentes concessões feitas na terceira minuta do documento base para agricultura nas negociações da Rodada de Doha diminuíram nossa ambição inicial dos avanços, mas, mesmo assim, constituem uma base realista de entendimento", disse o ministério em comunicado.

O entendimento "dependerá de que haja esclarecimentos de cotas, critérios razoáveis de cálculo de consumo sobre produtos sensíveis e se os Estados Unidos aceitam os cortes nos limites de despesa (em subsídios) por produto", explicou o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto.

O funcionário fará parte da delegação do Brasil na reunião da OMC que, a partir do dia 21, buscará em Genebra, Suíça, desobstruir as estagnadas negociações da Rodada de Doha.

Na reunião de ministros de Comércio e chanceleres de 40 países espera-se chegar a um acordo sobre a base de textos previamente negociados por analistas de países-membros da OMC durante longos meses de discussões.

"Na opinião geral dos negociadores, é melhor que a Rodada de Doha seja fechada com um acordo menos ambicioso por parte da indústria e da agricultura, que entrar em um compasso de espera que pode durar até três anos", disse Porto.

Porto destacou que os subsídios à exportação e o acesso a mercados são dois pontos que o Brasil considera "sensíveis".

Segundo os pré-acordos, os subsídios clássicos à exportação, utilizados principalmente pelos Estados Unidos, serão reduzidos à metade antes de 2010 e gradualmente eliminados em três cotas antes de 2013.

"O corte dos subsídios significa para o Brasil a eliminação de riscos futuros", afirmou Porto.

"No cenário de uma eventual elevação dos preços dos alimentos, os países em desenvolvimento seriam beneficiados ao obter novos mercados", acrescentou.

A proposta de "acesso a mercados" em discussão promoverá um corte médio de tarifas, mais alto que o estipulado na rodada do Uruguai, que antecedeu a de Doha.

A proposta de agora responde aos interesses do Grupo dos Vinte (G20, os principais países em desenvolvimento, liderados pelo Brasil, China e Índia).

As nações desejam um corte de tarifas de acesso a mercados que, para países desenvolvidos, variará de 48% a 73% e, para Estados em desenvolvimento, de 32% a 49%.

Para o ministério, esses cortes já supõem um ganho imediato para o Brasil, cujas exportações ficariam mais competitivas, disse Porto.

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