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SÃO PAULO (Reuters) - O Bradesco rebateu nesta segunda-feira as acusações de membros do governo de que os bancos privados estão praticando spreads exagerados na concessão de empréstimos. Se fosse negócio simples de conseguir, os bancos oficiais há muito tempo já teriam promovido a redução dos spreads, disse em teleconferência com jornalistas o presidente do banco, Marcio Cypriano, ao comentar os resultados do último trimestre de 2008.

"O governo tem 50 por cento do sistema financeiro, com a Caixa e o Banco do Brasil. Se fosse simples, baixaria por decreto e o sistema todo acompanharia. Mas não é o que acontece", afirmou Cypriano, que deixa o cargo em 10 de março, quando será substituído por Luiz Carlos Trabuco.

De acordo com dados divulgados na semana passada pelo Banco Central, o spread subiu em dezembro para 30,6 pontos percentuais, ante 30,1 pontos em novembro e 22,3 pontos no final de 2007.

Depois disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, qualificou de absurdo o spread cobrado pelos bancos e avisou que o governo pressionaria os bancos estatais, que já cortaram os juros duas vezes em janeiro a reduzir os juros cobrados, para forçar as instituições privadas a fazer o mesmo.

De acordo com Cypriano, o spread --diferença entre o preço pago pelos bancos para captar recursos e o cobrado dos clientes na concessão de financiamentos-- é composto pela soma de vários fatores, o que torna complexa uma retração abrupta.

Cypriano recorreu a um estudo divulgado recentemente pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), segundo o qual, cerca de 9 por cento do spread referem-se a tributos, outros 10 por cento de impostos, enquanto outros 13 estão relacionados a custos administrativos do próprio banco, além de 37 por cento dos custos com inadimplência.

"Sobra um spread líquido, de 6,5 a 7 por cento. Não é nenhum absurdo", disse Cypriano.

(Reportagem de Aluísio Alves)