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Bradesco: Barros alerta para risco de reforço de crédito do BNDES

O economista Octavio de Barros, diretor de Estudos e Pesquisas Econômicas do Bradesco, disse em entrevista à Agência Estado que merece reflexão a visão do BNDES de atuar de forma anticíclica, ao comentar a proposta do governo de reforçar os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos, exportação e agricultura, no atual momento de escassez de linhas de crédito externas. Se o mundo está pisando no freio, seria ingenuidade pensar no Brasil pisando no acelerador.

Agência Estado |

Já fizemos isso no passado, no
governo Geisel e não deu certo", afirmou.


Em outras palavras, Barros alerta que o governo brasileiro não deve forçar, pelo BNDES, uma tentativa de caminhar na contramão da economia mundial, para não repetir o erro da década de 70, quando em pleno choque do petróleo o Brasil se dizia a "ilha de prosperidade", se falava em "milagre econômico", o que, segundo economistas, gerou a década perdida dos anos 80.


Para Barros, "esta crise pegou o Brasil em um momento em que o País está muito bem". Mesmo assim, não deve escapar da desaceleração, que é um fenômeno global, causada pela crise americana. A visão geral de Barros é positiva para o País. De acordo com ele, "o grosso da desaceleração será este ano, e nos países desenvolvidos". No segundo semestre do ano que vem, já haveria uma recuperação. Os países emergentes, com papel importante também do Brasil, responderiam por 90% do crescimento mundial em 2009.


Ele prevê que a principal contribuição para o PIB no ano que vem deve ser o investimento, no entanto, com desaceleração em relação a este ano. Barros acredita que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresça 8,76% em 2009, com desaceleração em relação a este ano, em que a alta no primeiro semestre foi de 15,7%. O Bradesco prevê que no total de 2008 a FBCF aumente 14% em relação a 2007. No caso do PIB, a desaceleração seria de um crescimento este ano entre
5% e 5,5% para algo entre 3% e 3,5% no ano que vem, com inflação na meta em 2009. "Um crescimento do PIB de 3,5% com IPCA em 4,5% nessa crise sai barato", disse.


Para ele, a economia mundial começa a se recuperar já a partir do segundo semestre de 2009 e, em 2010, a economia brasileira já teria capacidade de crescer 4,5% sem gerar inflação. Segundo Barros, a oferta de linhas internacionais de crédito vai voltar a se normalizar "daqui a alguns meses, com novo padrão de custo, mais caro". As taxas de retorno dos projetos de investimento vão mudar, em função desse custo maior. "A taxa de retorno tende a ser reavaliada com novo custo de capital", disse.


Pesquisa do Bradesco com 1.700 empresas nos primeiros 15 dias de setembro indica que "o apetite por investimento continua apesar do aumento de custo". Segundo Barros, "deve haver uma pequena desaceleração no curto prazo, mas os investimentos de médio prazo não devem ser atingidos".


Ele observa, porém, que "até agora não vimos ruídos relevantes na expectativa do consumidor e dos empresários". Barros também projeta uma redução no fluxo de investimento externo direto para o Brasil de US$ 36 bilhões este ano para US$ 29 bilhões em 2009. "É uma reação em linha com o que a gente imagina que ocorrerá no mundo todo, porque uma parcela grande do investimento externo direto é financiada", disse.

Bovespa

Barros entende que a Bovespa não vai recuperar no médio prazo o pico que já teve, devido à desaceleração mundial. Apesar disso, acha que é hora de comprar, com cautela. "Mesmo que a Bolsa no Brasil caia mais, é hora do investidor botar a sacola no ombro e começar a pinçar as melhores oportunidades, porque há ações muito baratas", disse.

Para ele, os preços dos ativos no mundo em geral não estão claros em função da excessiva volatilidade, que dificulta uma tendência. "No momento em que os leilões americanos para compra dos créditos ruins começarem, é razoável supor que outros ativos, além desses créditos ruins, vão começar a ter preço no mercado e aí vamos nos dar conta de que os ativos no Brasil estão baratos", disse.


De acordo com Barros, "o pacote pós-Lehman", que autoriza o uso de US$ 700 bilhões para compra de créditos podres no Congresso americano, "é redentor em um prazo não determinado". Ele acredita que as medidas serão aprovadas pelos parlamentares americanos por causa da gravidade da crise, mas que será com modificações "inevitáveis em ano eleitoral" e que deixem a marca dos
democratas, oposição ao governo Bush. "Ninguém pode ter dúvida do imperativo desse pacote".

No sistema financeiro mundial, as perdas reconhecidas em balanços até sexta-feira devido à crise estão estimadas em US$ 520 bilhões, enquanto os novos aportes chegam a US$ 350 bilhões, segundo Barros. "Tem a parcela ainda não reposta e tem muitas perdas ainda a ser explicitadas", disse.


Commodities

A visão do economista sobre os preços das commodities, tanto agrícolas quanto metálicas, é a de que não cairão abaixo das médias de 2007 porque já subiram muito desde então. Pelo índice Bradesco de Commodities, as agrícolas estavam em um patamar de 230 na última sexta-feira ante 153 na média de 2007 e as metálicas, em 431 na sexta-feira ante média de 349 em 2007. "Com toda a queda embutida, é difícil imaginar que cairá abaixo de 2007", disse. "As novas
locomotivas da economia mundial consomem commodities e estão vivendo o maior ciclo de investimento em infra-estrutura da história", afirmou.

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