Washington, 29 abr (EFE).- A empresa British Petroleum (BP) aceitou hoje a oferta de ajuda do Exército dos Estados Unidos para controlar o vazamento no Golfo do México, depois que as autoridades afirmaram que a mancha de petróleo avançava cinco vezes mais rápido do que o previsto.

Washington, 29 abr (EFE).- A empresa British Petroleum (BP) aceitou hoje a oferta de ajuda do Exército dos Estados Unidos para controlar o vazamento no Golfo do México, depois que as autoridades afirmaram que a mancha de petróleo avançava cinco vezes mais rápido do que o previsto. Diante da aproximação ao litoral da Louisiana, o Governo dos EUA decretou "catástrofe nacional" e disse que este pode se tornar um dos maiores desastres ecológicos da história do país. A secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, disse em entrevista coletiva que o estado de "catástrofe nacional" permite ao Governo mobilizar mais recursos para enfrentar o vazamento. "Usaremos todos os ativos disponíveis" para enfrentar, disse a secretária, diante do prognóstico de que a mancha de petróleo poderá chegar à Louisiana amanhã. Segundo os últimos dados, o desastre, produto de uma explosão seguida de incêndio que destruiu a plataforma em 20 de abril, cresce em ritmo de 5 mil barris diários. Dough Suttles, chefe de operações da BP, a companhia que operava a plataforma, explicou hoje em declarações à rede de televisão "NBC" que a empresa britânica aceitará qualquer ajuda para controlar o derramamento de óleo. O porta-voz da Casa Branca Nick Shapiro confirmou hoje que o presidente dos EUA pediu a seu Governo que faça todos os esforços para conter a maré negra no Golfo e fechar o poço a 1,5 mil metros de profundidade aberto pela explosão. Apesar da previsão de ajuda oficial, a Casa Branca ressaltou hoje que o custo da limpeza será da BP. O governador da Louisiana, Bobby Jindal, solicitou ontem a ajuda de emergência ao Governo para impedir um desastre ecológico nas sensíveis restingas do estado, que estão seriamente ameaçadas devido a uma mudança da direção do vento. A maré negra de petróleo provocada pela explosão da plataforma petrolífera no Golfo do México poderia ameaçar mais de 400 espécies da Louisiana que dependem do ecossistema litorâneo. Baleias, golfinhos, 110 espécies de aves migratórias e a maior população de mariscos dos 48 estados que formam os Estados Unidos é parte dos animais ameaçados, conforme o departamento de fauna, flora e vida marina de Luisiana. A costa americana do Golfo do México é um ecossistema de grande diversidade ambiental e uma área da qual depende grande parte da produção pesqueira de marisco do país. Dados dos cientistas indicam que 90% de todas as espécies do Golfo do México dependem dos estuários em algum momento da vida, justo para o local onde segue a mancha de petróleo. As autoridades da Louisiana instalaram mais de 30 quilômetros de barreiras flutuantes na superfície do mar que buscam conter o avanço do óleo, embora Jindal tenha deixado claro que isso não será suficiente para frear a maré negra. Na plataforma, da empresa Transocean, havia 126 pessoas trabalhando, e depois que a estrutura afundou apenas 11 trabalhadores foram dados como desaparecidos. Em declarações a "NBC", Suttles não especificou que tipo de ajuda poderá ser oferecida pelas Forças Armadas. A Direção Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) calculou que do poço emergem 5 mil barris (795 mil litros) diários de petróleo, isto é quase cinco vezes mais do que o calculado anteriormente. O jornal "The Times Picayune", de Nova Orleans, informou hoje que os funcionários da BP descobriram um novo vazamento de petróleo nos encanamentos retorcidos que foram rompidos quando a plataforma Deepwater Horizon afundou no Golfo do México. Os ventos mudaram ao sudeste ontem, quarta-feira, e os técnicos calculam que as bordas exteriores da mancha de petróleo cru poderiam chegar ao litoral da Louisiana na sexta-feira à tarde. As previsões meteorológicas indicam ventos de sudeste até o fim de semana e marés altas, tudo que ajuda a empurrar o derramamento de petróleo ao delta do Rio Mississipi, um habitat muito variado e frágil. Na quarta-feira, as autoridades realizaram as primeiras queimas controladas de petróleo próximo à plataforma, em uma tentativa de reduzir o volume de petróleo que possa chegar ao litoral. O jornal "The Wall Street Journal" informou hoje que o poço de prospecção que agora derrama petróleo cru no Golfo do México não tinha sistema de obturação por controle remoto, como exigem outros importantes países petroleiros como a Noruega e o Brasil. Segundo o jornal, a plataforma também não contava com o chamado comutador acústico, com o qual a tripulação tem condições de ativar uma válvula submarina que fecharia o poço. EFE tb-jab/dm

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