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Bovespa voltou a perder valor ontem e dólar foi a R$ 2,352

SÃO PAULO - A quinta-feira foi um dia morno para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ficou próxima da estabilidade durante grande parte do pregão, antes de fechar com leve baixa e fraco volume financeiro.

Valor Online |

O dólar ensaiou baixa, mas marcou o terceiro dia de valorização contra o real. Os juros futuro terminaram com leve alta em um pregão de poucos negócios.

O noticiário do dia foi bastante carregado, mas mexeu pouco com o humor dos investidores. O ponto alto foi a apresentação do plano de ajuda aos mutuários de hipotecas nos Estados Unidos. O projeto do governo prevê US$ 75 bilhões para refinanciar e modificar os empréstimos buscando reduzir a inadimplência e as execuções.

Em outra ação que também beneficia o setor, o Tesouro dos EUA anunciou que vai elevar de US$ 200 bilhões para US$ 400 bilhões o volume máximo de recursos que poderá alocar nas agências de refinanciamento de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.

No lado econômico, a construção de novas moradias nos EUA caiu 16,8% em janeiro, novo recorde de baixa. Os preços de importação recuaram 1,1% no mês passado, refletindo o menor preço do petróleo. E a produção industrial americana diminuiu 1,8% na abertura do ano, puxada pelo setor automobilístico.

Na parte da tarde, saiu a ata do Federal Reserve (Fed), banco central americano, referente à reunião de 28 de janeiro, quando a taxa de juro dos EUA foi mantida entre zero e 0,25% ao ano, centro as atenções. No documento, o colegiado afirmou que a economia perdeu ainda mais força em janeiro e que uma recuperação é pouco provável antes do segundo semestre do ano.

A ata também trouxe previsões atualizadas para a economia. O Fed prevê contração do PIB entre 1,3% e 0,5% nesse ano, para depois crescer entre 2,5% e 3% em 2010. O cenário é bastante negativo se comparado ao anterior, quando o colegiado acreditava em crescimento da economia de 1,1% em 2009.

O BC americano também começou a divulgar previsões de longo prazo para os preços. A estimativa oscila entre inflação de 1,7% a 2%. Para 2009, o colegiado estima elevação de preços entre 0,3% a 1%.

Os investidores também acompanharam discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, que afirmou que as medidas extraordinárias que estão sendo tomadas para estimular o crédito não vão dar fôlego à inflação.

Bernanke reafirmou que o único compromisso do Fed é restabelecer o vigor da economia e que as preocupações com a inflação devem ser deixadas de lado. " De fato, esperamos que a inflação fique bastante baixa por algum tempo " , disse.

O mandatário do Fed também deu explicações sobre as projeções de longo prazo contidas na ata. Segundo Bernanke, os números devem ser encarados como sendo os mais condizentes, na visão do comitê, para garantir o máximo emprego e uma razoável estabilidade de preços.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,04% e o Nasdaq caiu 0,18%. O S & P 500 seguiu abaixo dos 800 pontos, perdendo 0,10%, para 788 pontos.

No mercado interno, a Bovespa teve um pregão instável, com uma tentativa de recuperação não resistindo a 30 minutos de pregão. Depois de subir mais de 1,4%, o Ibovespa terminou o dia com baixa de 0,43%, aos 39.674 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,16 bilhões, baixo se consideramos que o dia reservou o vencimento de opções sobre o Ibovespa futuro, operação que movimentou R$ 530 milhões. Essa cifra também pouco expressiva se comparada ao vencimento de dezembro, que girou mais de R$ 2 bilhões.

A queda do índice para baixo dos 40 mil pontos colocou água no exercício, que concentrava série nos 40 mil, 41 mil e 42 mil pontos.

Para ilustrar a falta de direção no dia, Petrobras fechou em baixa, Vale subiu, Itaú teve elevação, Bradesco perdeu e CSN registrou queda enquanto Usiminas apresentou valorização.

Na avaliação do sócio da MH Investimentos, Marcelo Chakmati, a falta de direção do mercado evidencia que os agentes estão começando a ficar cansados de esperar pelo detalhamento dos planos de ajuda ao setor financeiro e à economia do governo Barack Obama.

" Ninguém sabe o que vai acontecer com os ativos tóxicos que estão na carteira dos bancos e um plano mais detalhado de reativação da economia ainda não apareceu " , resume o especialista.

No mercado de câmbio, os investidores continuam aproveitando a falta de definição no ambiente externo para rearmar posições contra o real no mercado futuro.

O gerente de operações da B & T Associados Corretora de Câmbio, Marcos Trabbold, afirma que a valorização do dólar não decorre de operação via câmbio comercial ou financeiro e, sim, reflete a posição dos agentes na BM & F.

" Não é volume de câmbio que determina a taxa. Não é falta de liquidez. Se tivesse falta de dólares o Banco Central teria interferido no mercado " , resume o especialista. Vale lembrar que o BC completou duas semanas sem ofertar dólares no mercado à vista.

Depois de ensaiar baixa pela manhã, o dólar comercial fechou o dia valendo R$ 2,350 na compra e R$ 2,352 na venda, com valorização de 1,03%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o dólar avançou 0,99%, fechando a R$ 2,351. O giro financeiro somou US$ 476,5 milhões, 70% maior se comparado ao dia anterior. Já o interbancário movimentou US$ 2,6 bilhões, queda de 20% sobre a terça-feira.

Os contratos de juros futuros tiveram um pregão instável nesta quarta-feira. A falta de direção pode ser creditada à ausência de indicadores na agenda interna e ao baixo volume negociado.

Ao fim do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, fechou com alta de 0,03 ponto, a 11,01%. Janeiro 2011 também avançou 0,03 ponto, para 11,49%. E janeiro 2012 apontava 11,80%, ganho de 0,04 ponto.

Na ponta curta, o DI para março encerrou estável a 12,64%. O contrato para abril devolveu 0,01 ponto, a 12,17%. E julho de 2009 ganhou 0,02 ponto, projetando 11,48%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 250.025 contratos, equivalentes a R$ 21,64 bilhões (US$ 9,35 bilhões), menos da metade do observado um dia antes e um dos menores volumes do ano. O vencimento para janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 115.130 contratos, equivalente a R$ 10,52 bilhões (US$ 4,55 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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