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Bovespa teve ontem segunda maior queda do ano; dólar foi a R$ 2,328

SÃO PAULO - As justificativas não são novas, mas a preocupação com o setor financeiro e a montanha de ativos tóxicos que está encarteirada, rumores de falência da General Motors (GM) e descrença na capacidade dos planos econômicos em impulsionar as economias nos Estados e Europa foram os fatores apontados como responsáveis pelo segundo pior pregão do ano na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e pela puxada de alta no preço do dólar na terça-feira. O dia amanheceu ruim na Ásia, com baixas nos principais mercado em meio a notícias de mais bancos em dificuldades. O mesmo assunto influenciou nas quedas na Europa.

Valor Online |

A agência de classificação de risco Moody´s disse que as instituições financeiras do Leste Europeu vão sofrer com a perda de dinamismo econômico e trarão mais problemas para seus controladores no lado oeste do continente.

Nos Estados Unidos, as montadoras concentraram as preocupação, já que era o último dia para a apresentação dos planos de reestruturação que condicionam o recebimento de ajuda governamental. No meio disso, novos rumores de que General Motors (GM) pediria proteção sob a lei de falências. Ao fim do pregão, a Chrysler apresentou seu projeto e de quebra pediu mais US$ 2 bilhões. A empresa já tinha recebido US$ 4 bilhões do governo.

O fato é que a aversão ao risco aumento muito na terça-feira, fato comprado pela alta global no preço do dólar e do ouro e pela maior demanda pelos Treasuries, títulos do governo americano.

Na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse, na sigla em inglês), as atenções ficaram voltadas para o S & P 500, que caiu 4,56%, para 789 pontos, mínima do dia e menor patamar desde 20 de novembro. Segundo os grafistas abaixo dos 800 pontos, a tendência é de novas quedas no indicador. O Dow Jones cedeu 3,79%, para 7.552 pontos, e o Nasdaq recuou 4,15%, a 1.470 pontos.

No campo político, o presidente dos EUA, Barack Obama, transformou em lei o pacote de estímulo econômico de US$ 787 bilhões. Classificou o ato como o " início do fim " da crise. Levando em conta o comportamento dos mercados nos últimos dias, essa ainda não é a visão dominante entre os investidores.

Hoje, Obama volta à cena para detalhar o plano de ajuda aos mutuários de hipotecas. Serão destinados US$ 50 bilhões do pacote original de resgate aos bancos para tentar conter a inadimplência e as execuções.

A Bovespa apenas refletiu o pessimismo e aversão ao risco do mercado externo e teve a segunda maior perda diária do ano. Com 63 dos 66 papéis com desvalorização, o Ibovespa caiu 4,77%, para 39.846 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,28 bilhões.

Os investidores tentaram segurar os 40 mil pontos, patamar que era respeitado desde 4 de fevereiro, mas não tiveram sucesso. Atenção para as movimentações hoje, já que acontece o vencimento do Ibovespa futuro e as principais séries de exercício estão nos 40 mil, 41 mil e 42 mil pontos.

A forte piora de humor externo estimulou a tomada de posições defensivas em moeda norte-americana. Com isso, o dólar teve a maior ganho percentual diário desde o começo de janeiro e voltou a valer mais de R$ 2,30 pela primeira vez desde 4 de fevereiro.

Ao fim da terça-feira, o dólar comercial fechou negociado a R$ 2,326 na compra e R$ 2,328 na venda, elevação de 2,15%. Tal preço era não observado desde 27 de janeiro. Mesmo com a forte instabilidade, o Banco Central (BC) permaneceu ausente do mercado à vista.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda avançou 2,17%, fechando também a R$ 2,328. O giro financeiro somou US$ 279 milhões. O interbancário movimentou US$ 3,2 bilhões, pouco acima da média.

No mercado de juros futuros, as curvas apresentaram instabilidade, mas encerraram o dia apontando para baixo. Cresce o número de agentes que espera uma atuação mais agressiva do BC na reunião de março. Dada a conjuntura, uma redução de 1,5 ponto percentual seria bastante plausível.

Os dados do dia vão de encontro com tal teoria. As vendas no varejo caíram 0,3% em dezembro, terceiro mês de queda. A inflação pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) não surpreendeu para cima. O indicador que mede a variação dos preços no atacado subiu 0,45% na segunda prévia do mês, revertendo deflação de 0,58% no mês anterior, mas ficando em linha com o estimado pelos economistas.

Ao fim do pregão, o contrato de Deposito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010 fechou com baixa de 0,03 ponto, a 10,98%. Janeiro 2011 recuou 0,01 ponto, para 11,47%, depois de cair a 11,40% na mínima. E janeiro 2012 apontava 11,78%, sem alteração.

Na ponta curta, o DI para março ganhou 0,01 ponto, precificando 12,64%. O contrato para abril, o mais líquido, devolveu 0,04 ponto, a 12,19%. E julho de 2009 perdeu 0,03 ponto, projetando 11,47%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 595.080 contratos, equivalentes a R$ 55,06 bilhões (US$ 24,24 bilhões). O vencimento de abril de 2009 foi o mais negociado, com 197.560 contratos, equivalentes a R$ 19,50 bilhões (US$ 8,58 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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