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SÃO PAULO - A quinta-feira encerrou sem tendência única para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tentou, mas não escapou da instabilidade externa e teve leve baixa.

O real aproveitou a menor aversão ao risco que predominou durante boa parte do dia e voltou a ganhar valor ante o dólar. E os juros futuros caíram em meio a indicadores de inflação abaixo do esperado e dados sobre o crédito em janeiro.

Em Wall Street, o dia começou com ares de recuperação, com os agentes mantendo o otimismo mesmo com dados econômicos negativos. Os pedidos por bens duráveis caíram 5,2% em janeiro, superando a retração estimada de 3%. Também foi divulgado que os pedidos por seguro-desemprego aumentaram em 36 mil, totalizando 639 mil na semana passada. Sinalizando uma persistente fraqueza no mercado de trabalho, o número de americanos que continua recebendo o benefício estatal bateu recorde de 5,11 milhões. E a venda de imóveis novos caiu 10,17% em janeiro.

Os índices se sustentavam em território positivo até a divulgação de dados pela Federal Deposit Insurance Corp (FDIC), entidade que garante os depósitos bancários.

A FDIC apontou que o número de instituições financeiras com problemas subiu para 252 no final do quarto trimestre, contra 171 no final do terceiro trimestre. Os bancos acompanhados apresentaram prejuízo de US$ 26 bilhões no período.

O anúncio do orçamento do presidente Barack Obama também pesou sobre o humor do investidor, mais especificamente sobre as empresas do setor de saúde, já que o projeto prevê menor repasse para as operadoras de planos de saúde.

Outro destaque do orçamento, que soma US$ 3,6 trilhões para ano fiscal de 2010, é o destacamento de US$ 250 bilhões em reserva para o Tesouro, caso seja necessário ampliar sua atuação no setor financeiro. Obama também anunciou que reduzirá o déficit estimado em US$ 1,75 trilhão desse ano, cortando despesas e fazendo uma gestão mais eficiente
Com disso, o Dow Jones firmou posição em território negativo, fechando com baixa de 1,22%, depois de subir mais de 1,8%. Já o Nasdaq perdeu 2,38%.

O reflexo deste cenário por aqui foi um ajuste de posições de última hora, que tirou o Ibovespa do território positivo, levando o índice a registrar leve queda de 0,13%, para 38.180 pontos. O giro financeiro somou R$ 3,38 bilhões. Na máxima, o índice testou os 39.218 pontos, ou alta de 2,58%.

A valorização nas ações da Petrobras ajudou a limitar as perdas do dia. O papel seguiu o preço do barril de WTI, que fechou acima do US$ 45 o barril. Vale PNA também apresentou variação positiva.

No câmbio, a menor aversão ao risco, expressa pela perda de valor do ouro e commodities em alta, estimulou mais um dia de desmanche de posições defensivas. Com isso, o dólar comercial caiu 1,22%, encerrando negociado a R$ 2,344 na compra e R$ 2,346 na venda.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda perdeu 1,31%, fechando também a R$ 2,344. O giro financeiro somou US$ 241,5 milhões. Já no interbancário, o volume somou US$ 2,45 bilhões.

Inflação abaixo do esperado e menor concessão de crédito puxaram os juros futuros para baixo ontem. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) fechou fevereiro 0,26%, revertendo deflação de 0,44% em janeiro, mas inferior ao 0,41% estimados.

Ainda no campo inflacionário, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ficou em 0,39% na terceira leitura do mês, desacelerando de 0,59% na apuração antecedente e registrando a menor medição desde a terceira semana de outubro.

O dia também trouxe os dados sobre o crédito no mês de janeiro. Segundo o Banco Central, a concessão de empréstimos caiu 17,6% em janeiro. As empresas lideraram a contração. Já o volume global de crédito do sistema financeiro atingiu 41,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro, ou R$ 1,23 trilhão.

A nota do BC também apontou aumento na inadimplência para pessoa física e crescimento no crédito tido como de baixa qualidade (cartão de crédito e cheque especial). O ponto positivo foi uma leve redução no spread para pessoa física.

Ao final do pregão, o contrato de Deposito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro, o mais líquido, de 2010 fechou com baixa de 0,16 ponto, a 10,70%. Janeiro 2011 recuou 0,29 ponto, para 11,09%, e janeiro 2012 apontava 11,45%, baixa de 0,27 ponto.

Na ponta curta, o DI para março encerrou estável a 12,64%. O contrato para abril devolveu 0,07 ponto, a 12,04%. E em direção contrária, julho de 2009 avançou 0,01 ponto, projetando 11,26%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 657.200 contratos, equivalentes a R$ 60,77 bilhões (US$ 25,51 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 216.430 contratos, equivalentes a R$ 19,85 bilhões (US$ 8,33 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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