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O índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) devolveu parte dos ganhos registrados nos dois primeiros pregões do mês de novembro, que chegam a 8% de alta, e teve forte queda nesta quarta-feira. O tombo das Bolsas americanas foi parte importante do comportamento do pregão doméstico, que contou ainda com o efeito das baixas do petróleo e matérias-primas (commodities) metálicas nas ações da Vale, Petrobras e siderúrgicas.

O índice Bovespa fechou em queda de 6,13%, aos 37.785 pontos. No mês, o indicador acumula alta de 1,42% e, no ano, perdas de 40,85%. Embora as condições de liquidez no mercado financeiro global continuem melhorando, os agentes ponderam que o pregão foi de retorno à realidade. A cautela antecipa também um agenda pesada de indicadores amanhã.

O setor bancário também foi destaque de queda, depois da euforia pós-fusão Itaú-Unibanco. 

O recuo nos preços das matérias-primas (commodities), influenciado pelo fortalecimento do dólar ante outras moedas após as eleições nos EUA, exerceu pressão negativa na abertura dos negócios na Bolsa brasileira. Ontem, a alta de 5,2% do Ibovespa foi amparada em parte pelos ganhos das ações da Vale e da Petrobras, reagindo ao fortalecimento das commodities.

Nos Estados Unidos, as Bolsas de Nova York caíam mais de 4%, perto do fechamento da sessão em Wall Street. As perdas no mercado americano foram aprofundadas à tarde à medida que os investidores passaram a se preocupar com os sinais de que o presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama vai herdar uma economia em péssimo estado. Mais cedo, os analistas avaliaram que a queda dos mercados americanos ocorria porque os investidores já embutiram a vitória do democrata nos preços e, por isso, hoje realizavam lucro. À tarde, no entanto, a análise foi a de que o novo presidente terá pouco tempo para comemorar, já que os problemas são muitos, sendo o mais grave deles a desaceleração econômica.

Na agenda do dia, os dados fracos divulgados hoje nos Estados Unidos, embora já esperados, mostram esses problemas. A Pesquisa Nacional de emprego da ADP/Macroeconomic Advisers revelou o corte de 157 mil vagas de trabalho no setor privado em outubro. O número, considerado uma prévia do relatório do mercado de trabalho americano, que sai na próxima sexta-feira (dia 7), superou as previsões dos analistas, de perda de 100 mil vagas.

Além disso, o Instituto para Gestão de Oferta (ISM) também mostrou piora no seu indicador: o índice de gerentes de compra sobre a atividade no setor de serviços dos Estados Unidos caiu de 50,2 em setembro para 44,4 em outubro, o menor nível desde julho de 2003.

Dólar

Apesar da forte desvalorização dos mercados acionários globais, o dólar fechou a quarta-feira com alta moderada frente ao real após novas atuações do Banco Central.  A moeda americana fechou em alta de 0,33%, cotado a R$ 2,118.

"De uma maneira geral, acho que a gente chegou a um patamar de acomodação. Vai haver ainda mais alguns ajustes, mas aquelas subidas e descidas abruptas tendem a ficar um pouco menores daqui para frente", considerou Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros.

O gerente de câmbio também avaliou que as atuações do BC no mercado contribuíram para segurar a alta do dólar nesta sessão.

Hoje o Banco Central (BC) ofereceu pela primeira vez uma nova modalidade de leilão da moeda americana, que pretende oferecer liquidez aos bancos que quiserem financiar a exportação por meio de venda e compra simultânea de dólares. A garantia, nesse caso, será a apresentação de Adiamento de Contratos de Câmbio (ACC) e Adiantamento Sobre Cambiais Entregues (ACE). Os bancos contemplados só terão acesso aos dólares após apresentação dessas garantias, que vão gerar um empréstimo de longo prazo.

O BC colocou parcialmente os contratos de swap cambial oferecidos em leilão nesta tarde. Na transação realizada das 12h45 às 13h, a autoridade monetária vendeu US$ 475,6 milhões em contratos de swap cambial com ajuste periódico.

O mercado aceitou parcialmente os 10 mil contratos leiloados em três lotes. O primeiro lote, com vencimento em 2 de fevereiro de 2009 e 6 mil contratos, teve aceitação total dos contratos. A cotação mínima foi de 98,9144 a taxa nominal foi de 4,6218% e a linear, de 4,490%.

O lote com vencimento em 1º de abril de 2009 teve colocação de todos os 2 mil papéis ofertados. A cotação mínima foi de 98,1882 a taxa nominal foi de 4,5941% e a linear, de 4,550%.

Para o contrato de 1º de julho de 2009, foram absorvidos 1.670 dos 2 mil contratos leiloados. A cotação mínima foi de 96,6777, a taxa nominal foi de 5,2435% e a linear, de 5,220%.

(Com informações da Agência Estado, Valor Online e Reuters)

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