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Bovespa tem forte desvalorização nesta terça; dólar registra alta de 1,67%

SÃO PAULO - A esperada posse do presidente norte-americano Barack Obama não teve influência sobre o humor dos investidores nesta terça-feira. O discurso positivo não foi suficiente para tirar o foco dos problemas do setor financeiro norte-americano. No final do pregão, o Ibovespa registrou baixa de 4,01%, com 37.272 pontos. O giro financeiro foi baixo, somando R$ 2,86 bilhões.

Redação com agências |

 

O comportamento dos índices norte-americanos é o reflexo claro do que Obama e sua equipe vão enfrentar. Por volta das 18 horas, o Dow Jones caía 3,49%, enquanto o Nasdaq recuava 4,96%. Os bancos seguem perdendo valor de forma acentuada refletindo a falta de confiança no setor depois que mais instituições apresentaram perdas significativas nos EUA e na Europa.

Segundo o diretor de investimento da Victoire Finance Capital, André Caminada, o discurso de Obama foi típico de quem entra com vontade e, se o espírito que ele colocou nesta terça, de trabalhar para reerguer a economia, perdurar, vai ser bom para todo mundo.

A questão principal, de acordo com o especialista, é quando os EUA retomarão sua posição histórica de locomotiva da economia mundial. "A questão é saber quanto o consumo vai cair. Nos últimos 15 anos, o norte-americano só soube consumir e, agora, vai ter que aprender a poupar. Mas se eles guardarem (dinheiro) demais levará mais tempo para a economia se recuperar".

Voltando o foco para o mercado brasileiro, Caminada avalia que a Bovespa passou a espelhar o cenário de um ano mais difícil do que o esperado anteriormente. "O que choca é ver que o Brasil vai estar mais inserido nessa turbulência mundial do que queríamos."

O sinal claro desse maior envolvimento da economia brasileira é dado pelas grandes indústrias, como as montadoras, que estão efetuando demissões e revisando a produção. Segundo o diretor, esse é um dado muito negativo que atinge em cheio a pequena e média indústria, agravando o quadro de desaquecimento.

No âmbito corporativo, o destaque da sessão ficou com as ações da Aracruz. A VCP fechou acordo com as famílias Lorentzen, Moreira Salles e Almeida Braga para comprar uma fatia de 28,03% das ações ON da companhia por R$ 2,71 bilhões. Além disso, a Aracruz disse ter fechado um acordo para pagar mais de US$ 2 bilhões devidos a nove bancos por perdas com derivativos cambiais.

A ação PNB da Aracruz foi a quarta mais negociada do dia, caindo 11,32%, para R$ 2,35. Já o papel ON disparou 108,03%, fechando ao R$ 11,65. E o ativo PN da VCP perdeu 3,65%, a R$ 15,57.

Mesmo com o petróleo recuperando as perdas e fechando em alta, o ativo PN da Petrobras caiu 3,23%, para R$ 23,06. Perda de 4,13% para ação PNA da Vale, que encerrou a R$ 25,30.

Depois de passarem por cima da instabilidade externa ontem, os bancos voltaram a ajustar preço com os pares internacionais. Itaú PN caiu 6,83%, para R$ 22,64, com o terceiro maior volume do dia. Bradesco PN caiu 5,27%, a R$ 20,11, e Banco do Brasil ON cedeu 6,85%, a R$ 13,45.

Destoando, desempenho positivo para o setor de telecom. Telemar Norte Leste PNA fechou com alta de 3,46%, a R$ 47,50, e Telesp PN ganhou 3,08%, a R$ 41,80, e Vivo PN subiu 2,40%, para R$ 32,41.

Câmbio

Em linha com o cenário externo pessimista e o aumento na aversão ao risco, a moeda norte-americana encerra a terça-feira em alta ante o real. O dólar encerrou as negociações cotado a R$ 2,372, uma valorização de 1,67%. O Banco Central vendeu dólares no mercado à vista, mas a atuação não teve efeito sobre o preço da divisa.

João Medeiros, diretor de câmbio da Pioneer Corretora, apontou o forte peso das bolsas de valores e do movimento global do dólar no mercado doméstico nesta sessão.

Medeiros ainda mencionou as preocupações dos investidores com o setor bancário e com a restrição de crédito, apesar das expectativas positivas por mais medidas econômicas, após a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nesta terça-feira.

(Com informações do Valor Online)

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