A volatilidade continuou sendo a tônica dos negócios na Bovespa, mas, após uma abertura mais negativa, o pregão brasileiro firmou-se em território positivo à tarde, pegando embalo na reação das bolsas nos Estados Unidos - embora Wall Street ainda fosse oscilar entre os campos positivo e negativo. Em Nova York, os índices acionários continuaram à mercê do noticiário e das incertezas relacionados ao futuro das montadoras norte-americanas, o que se refletiu nas operações domésticas.

Isso, porém, não impediu o índice doméstico de renovar máximas perto do fechamento, mesmo com todo o sobe-e-desce nos EUA.

Desse modo, o Ibovespa, principal índice, encerrou na máxima, aos 39.373,86 pontos, em alta de 2,22% - de 37.014 pontos na mínima (-3,91%). O volume financeiro, contudo, não foi dos mais expressivos, totalizando R$ 3,543 bilhões - no mês, a média diária é de R$ 4,231 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou um ganho de 11,4%, contabilizando uma valorização de 7,59% no mês. No ano, contudo, ainda registra perdas de 38,37%.

De acordo com Paulo Rebuzzi, da corretora Ativa S.A., o noticiário sobre a ajuda, ou não, para as montadoras de Detroit foi, sem dúvida, o que moveu o mercado hoje. O profissional aguardava uma abertura na Bovespa muito pior do que aconteceu, justamente por causa do fracasso de um acordo no Senado dos EUA ontem à noite sobre um pacote de socorro às empresas. A perspectiva de que essas companhias podem ser "grandes demais para quebrar" e de que um plano saia a qualquer momento, com base em informações da Casa Branca e do Tesouro dos EUA, porém, impediu isso, notou.

Por volta do meio-dia, a Casa Branca informou que estuda utilizar o Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês) de US$ 700 bilhões para evitar o colapso do setor automotivo norte-americano. Um pouco depois, o Tesouro dos EUA disse que está pronto para ajudar as montadoras, segundo comunicado enviado pela porta-voz Brooklyn McLaughlin a agências internacionais.

Em Nova York, diferentemente da Bovespa, o viés positivo não se sustentou e os índices ainda oscilariam entre momentos de alta e de baixa. Às 18h20, o Dow Jones subia 0,37%, o S&P-500 avançava 0,22% e o Nasdaq ganhava 1,51%.

A melhora do Ibovespa também encontrou suporte na diminuição da queda dos preços do petróleo, em razão do efeito positivo sobre as ações da Petrobras. Após cair 7,46% na mínima do dia, a US$ 44,40, o petróleo negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) encerrou o dia a US$ 46,28, em baixa de 3,54%. Na máxima do dia, chegou a US$ 47,15 (-1,73%). Isso permitiu que as ações PN da Petrobras - que respondem pela maior fatia do índice brasileiro - terminassem o dia em alta de 1,21%. As ações ON da estatal fecharam com elevação de 2,49%. Merece destaque o desempenho semanal das ações da Petrobras: a PN ganhou 24,45% e a ON, 28,37%.

Vale lembrar que esta semana antecedeu o vencimento de opções sobre ações que acontece na próxima segunda-feira, e os papéis da estatal costumam estar entre os mais líquidos do exercício.

Outras com expressiva liquidez nos vencimentos de opções, a Vale apresentou um comportamento mais tímido na sessão de hoje, mas não no acumulado da semana. No caso das ações PNA, subiram 1,13% nesta sexta-feira, acumulando ganho de 16,51% na semana. Vale ON apreciou-se 0,36% e 19,79%, respectivamente.

Os comportamentos das ações da Petrobras e Vale referendam a percepção dos profissionais do mercado e dos próprios dados da Bovespa sobre a presença de capital estrangeiro nos negócios. Nesta semana, a Bolsa registrou a entrada de R$ 874,321 milhões em capital externo no dia 8 e de R$ 315,689 milhões no dia 9.

Além de tudo isso, o gerente de renda variável de uma corretora no Rio citou que as medidas divulgadas ontem pelo governo federal favorecem um certo descolamento no que diz respeito ao fôlego no momento de recuperação das ações brasileiras perante as americanas. Ontem, o governo anunciou a redução do IPI cobrado sobre alguns veículos, a redução do IOF de 3,38% para 1,88%, a criação de duas novas faixas de IR e a possibilidade de usar parte das reservas internacionais para facilitar o pagamento de débitos externos por empresas privadas.

As maiores altas do Ibovespa hoje foram registradas por Cesp PNB (+9,09%), Embraer ON (+7,79%) e TIM Participações S.A. PN (+7,14%). No outro extremo, ALL Unit caiu 6,50%, JBS ON perdeu 5,41% e Transmissão Paulista PN recuou 2,71%.

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