Uma série de medidas anunciadas nos Estados Unidos trouxe euforia aos mercados acionários mundiais, com os índices disputando ganhos nas mais diferentes praças. Não foi diferente no Brasil, onde a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou a maior elevação porcentual desde 15 de janeiro de 1999, quando houve uma forte desvalorização do real e o regime de câmbio passou a ser flutuante no País.

O índice Bovespa (Ibovespa) subiu 9,57% hoje e fechou a 53.055 pontos. Em 15 de janeiro de 1999, tinha avançado 33,40%, segundo informações da Bolsa. Durante o pregão desta sexta-feira, o Ibovespa oscilou entre a mínima de 48.424 pontos (estabilidade) e a máxima de 53.168 pontos (+9,80%). Com os ganhos de hoje, a Bolsa brasileira acumulou elevação de 1,26% na semana e reduziu as perdas de setembro para -4,71%. No acumulado de 2008, o Ibovespa registra queda de 16,95%. O giro financeiro somou R$ 7,67 bilhões (dado preliminar).

Em linhas gerais, as medidas anunciadas hoje foram: o governo dos EUA planeja criar um fundo para comprar dívidas podres dos bancos de investimentos e outras instituições financeiras; a decisão da SEC (a comissão de valores mobiliários norte-americana) de proibir temporariamente as vendas a descoberto de posições de 799 companhias financeiras por um período de 10 dias - o Reino Unido e Austrália também proibiram a venda de ações a descoberto; o plano do Federal Reserve (Fed, banco central americano) para recomprar obrigações de dívida relacionadas às agências hipotecárias Fannie Mae e a Freddie Mac de certas instituições financeiras. Há ainda outras medidas adicionais com objetivo de estancar a crise; e o programa do Departamento do Tesouro dos EUA para garantir ativos dos fundos mútuos do mercado monetário.

As medidas levaram os investidores a se aventurarem pelo mercado acionário, muitos dos quais para zerar perdas recentes enquanto outros se animaram a tomar um pouco de risco. Assim, as bolsas subiram bastante não só nos países desenvolvidos como também nos emergentes, e ativos como as commodities (matérias-primas) fecharam em alta. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o contrato de petróleo com vencimento em outubro avançou 6,81%, a US$ 104,55 o barril.

Em Wall Street, o Dow Jones terminou em alta de 3,35%, aos 11.388,44 pontos, o S&P em alta de 4,02%, a 1.255,07 pontos, e o Nasdaq, em alta de 3,40%, aos 2.273,90 pontos. Mas os ganhos em Wall Street foram tímidos em comparação à irracionalidade que se viu na maioria das bolsas mundiais.

A Bolsa de Hong Kong, por exemplo, atingiu seu maior ganho em oito meses, com o índice Hang Seng disparando 9,6%, para 19.327,72 pontos. Na Rússia, as ordens de compras levaram as operações a serem interrompidas por uma hora na Russian Trading System (RTS), principal mercado acionário do país, depois que o índice havia subido 20%.

Na Europa, a Bolsa de Londres fechou com valorização de 8,84% - com alta de 431,3 pontos, a maior em 20 anos -, a Bolsa de Paris subiu 9,27% e a Bolsa de Frankfurt ganhou 5,56%. Como era de se esperar, as ações do setor financeiro assumiram a dianteira nas bolsas, porque foram as que mais apanharam nos últimos dias após as notícias de falência de instituições financeiras nos EUA.

Apesar da euforia de hoje, passado o final de semana e os ânimos mais calmos, há quem preveja uma realização de lucros nos ativos, principalmente porque ninguém ainda acredita que o fim da crise financeira global está à porta - talvez mais perto apenas.

Hoje, nenhuma ação do Ibovespa fechou em baixa. As ações preferenciais (PN) da Petrobras, as mais negociadas, fecharam em alta de 8,07% a R$ 34,80. As ações ordinárias da estatal ganharam 9,16% e fecharam a R$ 42,90. Vale PNA (ação preferencial da classe A), o segundo papel mais negociado na Bolsa, subiu 6,21% a R$ 36,75. A terceira ação mais negociada foi BM&FBovespa ON, que disparou 15,41% a R$ 9,06.

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