A queda do petróleo não impediu hoje que Petrobras brilhasse, ao lado de Vale, conduzindo a Bovespa ao segundo pregão consecutivo de elevação. Compras técnicas e notícias corporativas motivaram a alta, assim como as bolsas norte-americanas, que também subiram com o petróleo mais barato. O Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, terminou o pregão com variação positiva de 1,90%, aos 57.542,5 pontos.


No melhor momento da sessão, atingiu 57.813 pontos (+2,38%) e, na mínima, operou estável, aos 56.473 pontos. Com o resultado desta quarta-feira, as perdas de agosto foram reduzidas a 3,30%. No ano, a Bovespa ainda acumula retração de 9,93%. O volume financeiro totalizou R$ 5,438 bilhões.

Maior giro individual do Ibovespa neste pregão, as ações PNA da Vale subiram 1,86%, diante da alta dos metais no exterior, da expectativa positiva com o balanço que sai ainda nesta quarta e também com a notícia de que a mineradora anglo-suíça Xstrata aumentou sua participação na Lonmin - terceira maior produtora de platina do mundo.

Segundo os analistas, ao elevar sua fatia na Lonmin, a Xstrata afugenta uma oferta da Vale, motivo de preocupação diante do maior endividamento da brasileira para fazer frente à aquisição. Assim, as ações avançaram. As ON terminaram o dia em alta de 1,37%.

Já a valorização da Petrobras foi motivada basicamente por compras técnicas, uma vez que os papéis caíram a preços muito atrativos depois do tombo das últimas semanas. As ações avançaram 2,67% as ON e 3,42% as PN.

O petróleo não foi incentivo, pelo menos não para Petrobras. O barril recuou 0,50% e terminou em US$ 118,58 em Nova York. Este recuo, decorrente do aumento acima do previsto nos estoques de petróleo bruto, deu, no entanto, sustentação às bolsas norte-americanas e, por tabela, à Bovespa. O índice nova-iorquino Dow Jones subiu 0,35%, o S&P avançou 0,33% e o Nasdaq ganhou 1,21%.

O setor financeiro, no entanto, atuou como limitador de compras, com destaque para o balanço ruim da Freedie Mac. As ações da agência hipotecária tombaram, com o prejuízo de US$ 821 milhões no segundo trimestre, invertendo lucro de US$ 729 milhões no mesmo período do ano passado. Por outro lado, a seguradora de bônus Ambac, inesperadamente, registrou lucro no segundo trimestre e serviu de contraponto ao segmento financeiro nas Bolsas de Nova York.

Se os preços de matérias-primas (commodities) deixarem os investidores com ânimo para sustentar as compras, a agenda de amanhã é favorável para mais um dia de alta. Segundo um analista, os principais destaques, as reuniões dos bancos centrais da Inglaterra e da zona do euro para decidir suas taxas de juros, não devem trazer nada diferente do previsto, sem prejudicar, assim, os negócios com ações.

Votorantim Celulose e Papel PN liderou os ganhos do Ibovespa ao subir 8,98%, com a notícia de que vai comprar uma participação na Aracruz. Gerdau e Braskem, que anunciaram lucros nesta quarta, avançaram 1,36% e 2,96%, respectivamente.

Dólar

O dólar fechou em alta nesta quarta-feira, descolando do cenário favorável das principais bolsas de valores, ao refletir ajustes de posição nos mercados futuros. A moeda norte-americana subiu 0,19%, para R$ 1,578, depois de voltar ao patamar de R$ 1,580 na máxima da sessão.

Segundo Sidnei Nehme, diretor-executivo e economista-chefe da NGO Corretora de Câmbio, o mercado seguiu fatores internos, como a movimentação nos mercados derivativos.

O fluxo cambial negativo em julho, divulgado pelo Banco Central, ilustra o fato. Apesar da forte saída de dólares, a moeda norte-americana caiu mais de 2% no mês.

"Isto mostra que o (mercado de) derivativo acaba sendo mais forte do que as outras forças", disse Nehme, explicando que a montagem de posições vendidas (que aposta na queda do dólar) no mercado futuro mais que compensaram as saídas de recursos do país.

"Mas neste mês os estrangeiros começaram a reverter essa posição", diminuindo o espaço de queda do dólar, acrescentou o diretor-executivo.

De acordo com dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros reduziram as posições vendidas em aproximadamente US$ 4 bilhões desde 30 de julho.

"É um movimento de reajuste refletindo a percepção de que não vale apenas especular muito abaixo de R$ 1,60, fica perigoso", completou Nehme.

Na última hora de negócios, o BC realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista e definiu taxa de corte a R$ 1,5776.

Com informações da Reuters e da Agência Estado

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