A posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos foi apenas figurativa para os mercados acionários. Os temores com a saúde do setor financeiro fizeram os índices amargarem perdas generalizadas ao redor do globo, e também na Bovespa, que, pela primeira vez em janeiro, passou a acumular perdas no mês.

O Ibovespa, principal índice, terminou a sessão na mínima, em baixa de 4,01%, aos 37.272,07 pontos. Na máxima, atingiu 39.174 pontos (+0,89%). No mês, a Bovespa acumula recuo de 0,74% - até ontem, era um ganho de 3,40%. O giro financeiro, de novo, foi baixo ao somar R$ 2,866 bilhões.

As ações da Vale e da Petrobras vinham contendo as perdas no mercado doméstico, mas não sustentaram o fôlego e, na última hora da sessão, com a piora das bolsas nos Estados Unidos, ampliaram as baixas com os investidores estrangeiros desovando ordens de vendas. Com isso, o Ibovespa foi renovando as mínimas. Segundo um operador, os bancos também não podem ser esquecidos, já que espelharam durante todo o dia o segmento no exterior.

O gestor-gerente da Infinity Asset, George Sanders, por outro lado, destacou que a queda do índice ocorreu em meio a um volume fraco, sinal de que os investidores ainda estão 'de lado'. "O volume fraco mostra que os investidores estão na expectativa de um evento maior, como a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central, que decide amanhã a nova taxa Selic)", comentou. O Banco Central deve retomar amanhã os cortes da taxa básica de juros, diante dos fracos indicadores divulgados nas últimas semanas.

A ação de Barack Obama à frente da maior economia do mundo também é motivo de expectativa nas bolsas - e menos volume de negócios. "O discurso feito hoje foi bom, mas agora é preciso ver a prática", emendou Sanders.

A posse de Obama ficou de lado nos negócios hoje, que reagiu aos temores com a saúde do sistema bancário, depois que, ontem, o Reino Unido anunciou um segundo pacote de socorro e que o Royal Bank of Scotland previu que poderá ter o maior prejuízo corporativo da história do Reino Unido.

As bolsas europeias fecharam novamente em baixa hoje, e assim também caminham as norte-americanas, em que os bancos anunciaram perdas. O Regions Financial teve prejuízo de US$ 6,2 bilhões no quarto trimestre do ano passado, enquanto o State Street registrou queda de mais de 70% do lucro entre o quarto trimestre de 2007 e igual intervalo de 2008. As ações do Bank of America recuaram em meio à expectativa de que irá cortar milhares de empregos em suas operações de mercados de capitais a partir desta semana, segundo nota do Financial Times.

Nas Bolsas de Nova York, às 18h20 (de Brasília), o índice Dow Jones recuava 3,79%; o S&P, 4,94%; e o Nasdaq, 5,23%. Fora do setor financeiro, outros balanços também pesaram, como o da Johnson & Johnson, que anunciou aumento de 14% de seu lucro no quarto trimestre de 2008 ante igual período do ano anterior, para US$ 2,71 bilhões (US$ 0,97 por ação). Mas a previsão para 2009 ficou abaixo das estimativas de Wall Street.

No Brasil, os bancos caíram em bloco, depois de terem subido na véspera. Bradesco PN perdeu 5,28%; Itaú PN, 6,83%; Unibanco Unit, 6,37%; e Banco do Brasil ON, 6,86%.

Mas o destaque doméstico foram as ações da Aracruz, com a notícia de que a Votorantim Celulose e Papel (VCP) comprou 28% do capital votante da maior produtora mundial de celulose de eucalipto. Aracruz PNB recuou 11,32%, mas Aracruz ON subiu 108,04%. VCP PN fechou em baixa de 3,65%.

Petrobras ON fechou em queda de 3,58% e PN, de 3,23%. Na Bolsa Mercantil de Nova York, o contrato para entrega de petróleo em fevereiro, que vence hoje, terminou em alta de 6,11%, a US$ 38,74 por barril. Vale ON recuou 4,42% e PNA, 4,13%. Os metais básicos em sua maioria recuaram.

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