SÃO PAULO - Acompanhando a sinalização proveniente do mercado europeu, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue oscilando território negativo. Por volta das 13 horas, o Ibovespa perdia 0,98%, para 38.

955 pontos, com giro financeiro em R$ 834 milhões. Atenção também para o vencimento de opções sobre ações.

Sem pregão em Wall Street, o mercado europeu dá o tom dos negócios por aqui. Depois de um início de sessão em alta, as bolsas em Londres e Frankfurt passaram a operar em território negativo com forte queda para o setor financeiro, mesmo depois de o governo britânico anunciar novas medidas de socorro aos bancos.

Em Londres, o FTSE-100 perdia 0,56%, com as ações da do Royal Bank of Scotland afundando mais de 47%. O banco alertou sobre a possibilidade de prejuízo de 28 bilhões de libras, cerca de US$ 41 bilhões. Na Bolsa de Frankfurt, a perda era de 0,65%, para o índice Xetra-DAX.

No mercado de câmbio, o dólar mantém o movimento de baixa ante o real mesmo com a piora de humor em outros mercados. Há pouco, a divisa era negociada a R$ 2,334 na venda, queda de 0,38%. Os investidores aguardam o resultado do leilão de swap cambial para a rolagem dos contratos que vencem em fevereiro.

De volta à Bovespa, segundo o analista da Geral Corretora, Ivanor Torres, ainda não existe justificativa para retomada no preço dos ativos. De forma geral, o desempenho das empresas e das economias deve piorar e a tendência é de novas correções de baixa nos preços. "Ainda não chegamos ao fundo do poço."
Segundo Torres, os 29.435 atingidos em outubro não representam o fundo do movimento de baixa. Para o especialista, o mau desempenho das empresas no primeiro semestre pode puxar o Ibovespa para a casa dos 23 mil pontos.

Ainda de acordo com o analista, a grande expectativa com o discurso do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, não se justifica, pois não deve trazer grandes novidades além dos projetos já anunciados nos últimos meses.

Dentro desse ambiente, a orientação para o investidor, segundo o especialista, é operar com visão de giro de mercado, com operações de curto de prazo. Para os mais pacientes, também há espaço para posições de longo prazo, pois alguns ativos são negociados abaixo do valor patrimonial.

No âmbito corporativo, Petrobras PN caía 1,44%, negociada a R$ 23,93, e Vale PNA perdia 0,37%, a R$ 26,50, depois de uma tentativa de recuperação.

As siderúrgicas também apontam para baixo. CSN ON recuava 0,87%, para R$ 35,19, e Usiminas PNA perdia 1,10%, a R$ 29,61.

Atuando em direção contrária e à parte da instabilidade externa, os bancos registram alta. Itaú PN ganhava 1,37%, a R$ 24,48, Bradesco PN subia 0,66%, a R$ 21,34, e Banco do Brasil ON avançava 0,27%, para R$ 14,44.

Liderando as perdas, Vivo PN caía 3,82%, para R$ 32,41. VCP PN recuava 3,78%, para R$ 16,54, e Natura ON cedia 3,58%, a R$ 19,65. Lojas Renner ON, Ultrapar PN e Perdigão PN caíam mais de 3% cada.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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