SÃO PAULO - Março começou de forma positiva para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu pelo terceiro dia e retomou os 67 mil pontos.

O dólar caiu abaixo de R$ 1,80 pela primeira vez desde o fim de janeiro. Os contratos de juros futuros devolveram prêmios de risco.

Na agenda do dia, estiveram dados díspares sobre a economia americana. O ponto positivo foi o aumento do gasto do americano em janeiro, mas os investimentos em construção recuaram no mês passado e a atividade no setor industrial cresceu menos em fevereiro.

Pelo lado corporativo, os agentes reagiram de forma positiva à venda de ativos pela AIG. A seguradora obteve US$ 35,5 bilhões com a venda do AIA Group, sua unidade de negócios na Ásia, para a britânica Prudential.

Em Wall Street, os índices fecharam com variação positiva. O Dow Jones ganhou 0,76%. O S & P 500 avançou 1,02%. Já o Nasdaq subiu 1,58%.

Por aqui, o setor de commodities deu sustentação à Bovespa, que retomou a linha dos 67 mil pontos perdida no fim de fevereiro. O Ibovespa fechou o pregão com valorização de 1,09%, aos 67.227 pontos. O giro somou R$ 5,07 bilhões.

Segundo o analista técnico da Souza Barros Corretora, Eduardo Matsura, o Ibovespa começou um movimento de recuperação na quinta-feira, quando voltou a oscilar acima dos 66 mil pontos, e confirmou a retomada de tal patamar um dia depois. Ontem, o índice manteve a trajetória e passa a mirar os 68 mil pontos.

De acordo com Matsura, graficamente, a linha dos 68 mil pontos é bastante observada, pois, caso vencida, abre caminho para o índice voltar a testar os 71 mil pontos, algo que não ocorre desde junho de 2008.

No mercado de câmbio, a linha de R$ 1,80 foi furada, algo que não acontecia desde 20 de janeiro. O diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros, assinalou que o movimento do dólar no mercado doméstico esteve relacionado à valorização das commodities e da Bolsa brasileira. O destaque do dia foi a apreciação do cobre, resultado do terremoto ocorrido na madrugada de sábado no Chile.

Ao final da jornada, o dólar comercial era negociado a R$ 1,796 na compra e a R$ 1,798, baixa de 0,49%. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar caiu 0,32%, para R$ 1,7965. O volume subiu de US$ 48,5 milhões, na sexta-feira, para US$ 143,25 milhões. Já os negócios no interbancário caíram de US$ 4 bilhões para US$ 2,7 bilhões.

No mercado de juros futuros, os contratos devolveram os prêmios acumulados no período da manhã, quando os agentes reagiam a nova piora nas expectativas de inflação.

O Focus mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 4,91%, contra mediana anterior de 4,86%. Para 2011, a estimativa, que era mantida em 4,5% há 86 semanas, subiu para 4,53%.

Ao fim da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, recuava 0,02 ponto percentual, a 10,46%, enquanto o DI para janeiro de 2012 perdia 0,08 ponto, a 11,57%.

Entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2013 caía 0,09 ponto, a 11,97%, enquanto o DI para o primeiro mês de 2014 declinava 0,11 ponto, a 12,21%.

Na ponta mais curta, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedia 0,01 ponto, a 9,32%, enquanto abril subia 0,02 ponto, a 8,77%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 622.880 contratos, equivalentes a R$ 56,179 bilhões (US$ 31,021 bilhões), menos da metade do registrado na sexta-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 235.565 contratos, equivalentes a R$ 21,651 bilhões (US$ 11,955 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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